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BCE não vê urgência em ajustar programa de estímulos, dizem fontes

Paul Gordon

(Bloomberg) -- Atualmente, as autoridades do Banco Central Europeu não veem uma necessidade urgente de ajustar ou expandir o programa de compra de títulos em setembro, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

O Conselho do BCE, que se reuniu em Frankfurt na quinta-feira, considera que seu plano de flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) de 1,7 trilhão de euros (US$ 1,9 trilhão) é eficaz mesmo depois da decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia, e que ele não se expõe ao perigo imediato de sofrer uma escassez de ativos, disseram as pessoas.

Embora mudanças do QE provavelmente sejam discutidas na próxima reunião, no dia 8 de setembro, não há motivos para esperar alterações importantes a não ser que a perspectiva piore, disseram as pessoas, que solicitaram o anonimato porque as discussões do Conselho do BCE são privadas. Um porta-voz do BCE não quis fazer comentários.

Contraste

O ânimo aparentemente otimista entre as autoridades contrasta com as expectativas de economistas e investidores antes da reunião da quinta-feira.

Uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg mostrou que a maioria dos participantes projetava um acréscimo de estímulo monetário em setembro, provavelmente mediante de uma extensão do QE, o que aumenta a inquietude com a redução da liquidez nos mercados de títulos.

Depois que o Conselho do BCE manteve inalterados as taxas de juros e o ritmo do QE, o presidente Mario Draghi disse aos repórteres que as autoridades ainda tinham "prontidão, disposição e capacidade" para atuar se for necessário após terem estudado mais dados sobre o impacto do Brexit. Contudo, em um sinal de que as autoridades econômicas estavam bastante relaxadas, ele observou que o conselho não discutiu instrumentos específicos.

Em entrevista com a agência austríaca APA publicada na sexta-feira, Ewald Nowotny, membro do Conselho do BCE, disse que uma "série de fatores de incerteza" apareceu desde o referendo no Reino Unido. Eles poderiam impactar na decisão do BCE, no quarto trimestre, sobre como desenvolver o programa de QE após a data nominal de finalização em março de 2017, disse Nowotny.

"É muito difícil de avaliar", disse ele. "Ainda temos tempo para tomar esta decisão".

Uma possível escassez de títulos deve ser solucionada antes da data marcada para o fim do programa, em março, mas ainda não há certeza que as diretrizes do QE teriam que ser alteradas em setembro, disse uma das pessoas. Também não está claro como elas mudariam.

Economistas sugeriram opções como reduzir ou eliminar o requisito de comprar somente papéis com rendimentos iguais ou superiores à taxa de depósito, atualmente de -0,4%; aumentar a proporção de emissões de dívida que pode ser comprada e se afastar das exigências de comprar dívida em proporção aproximada com o tamanho econômico de cada país-membro.

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