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Liquidez do BCE afoga angústia de empresas europeias com Brexit

Karl Lester M. Yap

(Bloomberg) -- Quando o Reino Unido votou por se separar da União Europeia em junho, os investidores em títulos corporativos de toda a região ficaram confusos. Depois, eles começaram a comprar como loucos.

As notas com grau de investimento denominadas em euros tiveram os maiores retornos mensais em quatro anos em julho. Os ganhos na dívida com grau de investimento em libras esterlinas foram os melhores desde 2009 e aqueles no mercado de títulos de grau especulativo em libras dispararam.

Muitos investidores acreditaram que, com ou sem Brexit, não se pode lutar contra o Banco Central Europeu, que está comprando cada vez mais papéis corporativos e soberanos e diminuindo os yields. Talvez assumir mais riscos seja a única forma de ganhar retornos mais altos.

"As pessoas estão procurando yields", disse Henrietta Pacquement, gerente de carteira em Londres da ECM Asset Management, que faz parte da Wells Fargo Asset Management e administra US$ 480 bilhões. "Elas estão subindo pela curva de vencimentos, assumindo mais riscos e procurando moedas que ofereçam retornos mais altos".

Em euros

Em junho, o BCE começou a comprar dívida corporativa, inclusive com nota de grau especulativo, como parte de um plano de estímulo expandido anunciado pelo banco em março. Ativos em euros e libras também foram impulsionados pela especulação de que o BCE e o Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês) aumentarão o estímulo.

Essa possibilidade de mais estímulo ajudou as notas com grau de investimento em euros a retornar 1,68% no mês passado, o maior nível desde julho de 2012, e a demanda levou os rendimentos para o valor mínimo recorde de 0,7%, segundo dados de índices do Bank of America Merrill Lynch.

A dívida com nota de grau especulativo retornou 2,2%, o maior patamar desde março, e os rendimentos caíram para cerca de 4,2%, o valor mais baixo em mais de um ano, mostraram os dados.

Em libras

No Reino Unido, os retornos da dívida com grau de investimento em libras foram de 5,23%, o nível mais alto desde agosto de 2009, segundo dados de índices do Bank of America Merrill Lynch, sendo que investidores tiraram proveito de rendimentos que ainda superavam seus pares em euros por mais de 1,7 pontos porcentuais.

Os ganhos nos papéis com nota de grau especulativo foram de cerca de 3,6%, impulsionados pela dívida de empresas estrangeiras, entre elas a Petrobras e a Telecom Italia, cujos negócios são vistos como isolados dos efeitos negativos da decisão britânica de abandonar a União Europeia. A dívida da Petrobras denominada em libras retornou 11,4% e a da Telecom Italia ganhou 2,4%.

Pode ser que os investidores também estejam comprando dívida britânica para garantir rendimentos mais altos antes da reunião desta semana do BOE, na qual se projeta que as autoridades diminuirão as taxas de juros.

A probabilidade de que o banco central reduza o custo do crédito no encontro do dia 4 de agosto aumentou para 100% na semana passada, segundo dados de trading de swaps compilados pela agência de notícias Bloomberg.

"Parte do recente ajuste dos diferenciais se deve às expectativas de que o BOE possa começar um programa de compras de títulos corporativos", disse Stefan Isaacs, gerente de fundos em Londres da M&G Investments, que administra US$ 325 bilhões. "Isso apoia claramente os diferenciais, de forma parecida com o que o programa do BCE tem feito pela dívida em euros".

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