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Investidores globais de ações passam do ódio ao amor pela China

Sofia Horta e Costa e Roxana Zega

(Bloomberg) -- As empresas que fazem negócios com a China passaram de párias a queridinhas do mercado em menos de seis meses.

Um índice das empresas de mercados desenvolvidos que obtêm a maior parte das vendas no país asiático, como Qualcomm, Yum! Brands e as gigantes do setor de mineração Rio Tinto e BHP Billiton, subiu 33% desde o piso registrado em fevereiro e superaram as ações mundiais pela maior diferença em quase um ano, mostram dados compilados pela agência de notícias Bloomberg e pelo MSCI. Trata-se de certa recuperação para um indicador que chegou a despencar 35% em menos de um ano.

Os sinais de que a economia da China está se estabilizando ajudaram a restabelecer a confiança nas empresas internacionais vinculadas a esse país. Esse efeito possivelmente se amplifica em meio a preocupações sobre a eficácia dos estímulos aplicados por bancos centrais da Europa ao Japão e ao temor de que as consequências da separação do Reino Unido da União Europeia comecem a prejudicar o crescimento econômico.

"Pela primeira vez em muito tempo estamos recebendo surpresas positivas da China", disse Thomas Thygesen, diretor de estratégia de ativos cruzados da SEB em Copenhagen. "CEOs do mundo inteiro também estão nos dizendo que as coisas não andam tão mal por lá. Isso nos ajudou a diminuir o medo de uma recessão mundial iminente".

O Morgan Stanley estima que as empresas europeias obterão cerca de 8% do total de suas receitas na China e que as empresas japonesas gerarão em torno de 6,6% das vendas nesse país. Para as empresas americanas, a proporção é de 3%.

Os dados sinalizaram que a economia da China está respondendo a um maior apoio político, com o PIB subindo para 6,7%, mais do que o esperado, no trimestre finalizado em junho. A produção industrial e as vendas varejistas da China relativas a junho também superaram as expectativas e o setor de serviços melhorou em julho.

Empresas beneficiadas

Isso deu impulso aos preços dos metais e às ações de mineradoras como BHP e Rio Tinto, no mesmo momento em que informações atualizadas das empresas sinalizaram um aumento do gasto dos consumidores na China.

A Yum!, a rede de fast-food que está fazendo spin off de sua unidade chinesa, disse no mês passado que as vendas do segundo trimestre cresceram 3 por cento no país e que seus restaurantes Pizza Hut e KFC começaram bem o período atual.

A Qualcomm, a maior fabricante de semicondutores para smartphones, disse que vem ganhando participação de mercado na China e acredita que seus lucros e vendas poderão superar as estimativas dos analistas. A Nissan Motor projetou que o crescimento das vendas de sua marca premium vai se recuperar no maior mercado automotivo e a Honda Motor informou lucros melhores do que o previsto devido ao aumento da demanda nos EUA e na China.

A Adidas, cujas vendas dispararam no país, elevou na semana passada sua projeção de lucros para 2016 pela quarta vez neste ano. A Swatch disse que observou uma "clara melhoria" na China continental, especialmente para seus relógios mais exclusivos.

A Volkswagen notou um aumento das vendas de veículos em junho e a Daimler projetou que é provável que a demanda nesse mercado "se recupere significativamente" neste ano.

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