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Investidores cambiais enganados por volatilidade esperam mais perdas

Lananh Nguyen

(Bloomberg) -- Os administradores de recursos que operam no mercado cambial, de US$ 5,3 trilhões por dia, não têm descanso.

Os investidores aguentaram cinco meses de queda, a sequência mais prolongada de perdas cambiais desde 2013. O que parecia ser o primeiro ganho mensal desde fevereiro virou mais um fracasso, depois que um momento complicado na semana passada deixou o Citi Parker Global Currency Manager Index com uma queda de 0,9 por cento em julho e a caminho da segunda queda anual consecutiva.

Os lucros evaporaram porque um relatório sobre crescimento econômico surpreendentemente fraco nos EUA e um estímulo menor que o esperado do Banco do Japão provocaram um surto de volatilidade que os fundos não conseguiram captar. Os problemas não dão sinais de ceder. Hedge funds e outros grandes especuladores tenderam para o lado errado nos mercados futuros, porque o dólar despencou e o iene disparou desde a semana passada.

"Justo quando você pensa que um assunto está surgindo nos mercados cambiais, o tapete é puxado debaixo dos seus pés", disse Paresh Upadhyaya, diretor de estratégia cambial em Boston da Pioneer Investments, que administra cerca de US$ 236 bilhões. Julho "ia ser a linda história de uma pequena alta do dólar americano" até que os dados econômicos arruinaram os planos.

Turbulência

A turbulência nas moedas do G-7 tem sido excepcionalmente severa neste ano, com uma disparada para a média anual mais alta desde 2011, segundo um indicador do JPMorgan Chase & Co. As oscilações atrapalham os traders que tentam identificar uma direção mais ampla para lucrar com as flutuações nessa tendência. Por exemplo, o índice Parker avançou quase 3 por cento em 2014, o melhor desempenho anual desde 2008, em meio a uma sequência de três anos de ganhos do dólar.

O enfraquecimento do dólar e o fortalecimento do iene dominaram o começo de 2016, mas o momento decisivo do ano para os mercados cambiais pode ter vindo em junho, com o referendo do Reino Unido. Uma grande volatilidade cambial registrou a maior alta da história porque o resultado sacudiu os mercados e derrubou a libra esterlina para a cotação mais baixa em mais de três décadas. Embora o índice Parker tenha disparado depois do Brexit, isso não bastou para que junho fosse um mês positivo.

EUA, Japão

Após um relatório sobre o mercado de trabalho dos EUA melhor do que o esperado no começo de julho, os traders aumentaram suas posições líquidas compradas em dólar antes da decisão sobre taxas de juros do Federal Reserve (Fed) no dia 27 de julho, mostram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities.

Quando o banco central manteve inalterado o custo do crédito e salientou um ritmo gradual de ajuste da política, o dólar despencou 1,7 por cento frente a uma cesta de pares na semana seguinte.

Talvez os traders também se arrependam de ter reduzido as apostas na força do iene na semana passada, antes que a moeda tivesse uma alta de 4 por cento frente ao dólar.

"Os participantes do mercado sabem de investimentos, de inflação, de balanços de conta-corrente", disse Marc Chandler, diretor global de estratégia cambial da Brown Brothers Harriman & Co. em Nova York. "É mais difícil para eles lidar com riscos associados a acontecimentos políticos".

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