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Investidores são dominados pela calma desconfortável dos mercados

Liz Capo McCormick, Joseph Ciolli e Rebecca Spalding

(Bloomberg) -- Está tranquilo lá fora. Talvez até demais.

Enquanto as ações e os títulos dos EUA atingem uma alta depois da outra e céticos como Donald Trump alertam para problemas iminentes, uma sensação sobrenatural de calma parece ter se espalhado pelos mercados financeiros.

A turbulência desencadeada há menos de dois meses, quando o Reino Unido decidiu, em referendo, deixar a União Europeia, se dissipou. Em seu lugar veio -- bem, não veio nada. Segundo alguns indicadores, havia anos que os mercados não estavam tão serenos.

Para alguns, a calmaria sugere que os investidores internacionais estão confiantes como sempre de que o dinheiro barato dos grandes bancos centrais ajudará a respaldar as ações, os títulos e as moedas.

A decisão do Banco da Inglaterra de reduzir as taxas de juros pela primeira vez em sete anos, na quinta-feira, só reforça essa tese. Para outros, trata-se de mais um sinal de que essa sequência otimista está chegando ao limite.

"Em algum momento a mandíbula precisa morder", diz Charles Morris, gerente de fundo da Newscape Capital Advisors em Londres.

Quanto a este ponto, poucos discordariam. A pergunta que está na cabeça de todos, contudo, é quando.

No momento, muitos investidores parecem pensar que os mercados vão a lugar nenhum. Com base nos preços das opções, as expectativas para uma nova volatilidade das ações e dos títulos caíram na semana passada, atingindo os níveis mais baixos desde o final de 2014.

Enquanto o S&P 500 Index gira em torno de sua alta histórica, o CBOE Volatility Index está perto do menor patamar em dois anos. A 12,52, o VIX -- às vezes chamado de "indicador do medo" -- está 28% abaixo de sua média de cinco anos. Um índice semelhante que monitora a volatilidade das notas do Tesouro dos EUA caiu 25% em relação ao pico de junho.

De forma semelhante, as moedas também estão em calmaria. Nesta semana, um índice do JPMorgan que monitora a volatilidade cambial de três meses atingiu o menor nível desde o final de 2015.

O ritmo lento da economia mundial não ajuda. O Fundo Monetário Internacional reduziu sua projeção de crescimento para 2016 para 3,1% no mês passado, contra 3,2% em abril. Nos EUA, a economia se expandiu a um ritmo anualizado de 1,2% no segundo trimestre, melhor que nos três primeiros meses do ano, mas menos da metade do previsto pelos economistas.

E embora o crescimento dos lucros esteja melhorando, a expectativa ainda é que as empresas do S&P 500 registrarão resultados piores pelo quinto trimestre seguido. Esta seria a sequência mais longa do tipo desde o início do bull market das ações, há mais de seis anos.

O que poderia despertar os investidores? Bill Schultz, que administra US$ 1,2 bilhão como diretor de investimentos da McQueen, Ball & Associates em Bethlehem, Pensilvânia, diz que a queda contínua do petróleo, que entrou em bear market na segunda-feira, poderia ser um alerta.

Outros esperam sinais de que o Fed e outros bancos centrais que mantiveram os juros tão baixos por tanto tempo estejam começando a perder o controle. Resultados corporativos fracos poderiam debilitar a confiança nas ações. E, é claro, deve-se esperar a eleição presidencial dos EUA em novembro.

Axel Merk, presidente da Merk Investments em São Francisco, diz que muitos investidores estão incomodados com os mercados e apenas esperam que tudo saia bem.

"Minha resposta é que ter esperança não é uma estratégia", diz Merk.

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