Mercado cansa de commodities após maior investimento em 7 anos

Camilla Naschert

(Bloomberg) -- Os investidores estão ficando cansados das commodities após injetarem o maior volume de dinheiro em sete anos.

A entrada de recursos em matérias-primas caiu para US$ 2,4 bilhões em julho, menor valor desde a retirada de dezembro, disse o Barclays em um relatório na quinta-feira. A redução - nada incomum para esta época do ano -- levou os investimentos a quase US$ 51 bilhões no ano até agora, maior nível desde 2009.

Há uma boa chance de o interesse pelas matérias-primas ter atingido o pico porque ele tem sido impulsionado, em grande parte, por investidores que buscam refúgio nos metais preciosos, sinalizando preocupações maiores em relação aos fundamentos das commodities, disse o Barclays.

Contudo, apesar de terem caído mais de 20% no segundo semestre dos últimos dois anos, os preços não terão um desempenho tão ruim desta vez. Isto, em parte, porque o petróleo subirá, enquanto as reduções de oferta ajudarão a conter o excedente, segundo o banco.

"A tendência é que os preços das commodities não tenham um desempenho muito bom no segundo semestre", disse Kevin Norrish, diretor-gerente de pesquisa de commodities do Barclays em Londres, por telefone. "Mas o desempenho não será, nem de perto, tão ruim quanto nos últimos dois anos".

O Bloomberg Commodity Index de 22 matérias-primas subiu 6,9% neste ano com o corte de produção das mineradoras, enquanto o ouro e a prata subiram com a demanda por reserva de valor e por alternativas para as moedas. Nos cinco anos anteriores o indicador perdeu cerca de 3% no primeiro semestre e 11% no segundo.

Existe outro sinal da perda de interesse de gestores de recursos. Após atingirem o maior patamar em dois anos, em junho, os hedge funds e outros especuladores reduziram suas posições compradas para 18 commodities em 38%, mostram dados do governo dos EUA compilados pela agência de notícias Bloomberg.

A forma como investidores negociam commodities parece estar mudando. Os produtos negociados em bolsa (ETPs, na sigla em inglês) individuais, particularmente para metais preciosos e petróleo, se tornaram mais populares que os índices, segundo o Barclays. O banco monitora os fluxos para os ETPs, swaps de índices e notas de médio prazo.

Os investidores "estão muito mais táticos em comparação com 2009-10, quando o negócio era investir a longo prazo", disse Norrish. "O equilíbrio já está mudando e a geração de retorno, que foi o que atraiu os investidores táticos, não será nem de perto tão atraente" no segundo semestre, disse ele.

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