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Para Berkshire de Buffett, uma década faz diferença

Gillian Tan

(Bloomberg) -- A Berkshire Hathaway de Warren Buffett deu seu primeiro passo para se transformar em um conglomerado em 1967, ao passar dos têxteis para os seguros, setor que se tornaria vital na empresa. Quase 50 anos depois, ela evoluiu novamente.

A contínua incursão de US$ 358 bilhões da empresa nos setores de energia, ferrovia e manufatura, entre outros, mudou radicalmente seu perfil de resultados na última década. Como consequência, divisões de seguros antes fundamentais, como a Geico, se transformaram em uma fatia muito menor da empresa como um todo. De fato, o braço de seguros da Berkshire deverá contribuir para apenas 25 por cento de seus resultados operacionais totais antes de impostos de 2016, menos da metade dos 57 por cento de 2006.

Jay Gelb, analista do Barclays, disse a clientes na segunda-feira que os demais negócios da Berkshire, além dos seguros, contribuirão ainda mais para os resultados operacionais como resultado das recentes aquisições, lideradas por seu maior negócio na história: a compra da Precision Castparts.

É claro que Buffett está orgulhoso do setor de seguros da Berkshire e que ele não vai ser desfeito. Veja o que ele disse em sua carta aos acionistas de 2015, publicada em fevereiro:

"Sem dúvida a maior riqueza não contabilizada da Berkshire é sua divisão de seguros. Passamos 48 anos construindo essa operação multifacetada e isso não pode ser replicado".

A unidade arrecadou US$ 10,8 bilhões em prêmios no último trimestre. E no mês passado a Berkshire fechou a compra de uma seguradora de responsabilidade médica e disse que começaria a oferecer cobertura de riscos ligada a transações financeiras, como fusões e aquisições. Mas à medida que o conglomerado continuar crescendo, sua dependência em relação a essa unidade só diminuirá ainda mais.

Em 30 de junho, o montante em caixa da Berkshire havia crescido para US$ 72,7 bilhões, o suficiente para gerar especulações sobre se Buffett pode estar pronto para atacar novamente e onde. A Berkshire estava na disputa pela empresa de energia texana Oncor e ainda poderia fazer uma oferta por ela, mesmo depois de a NextEra ter fechado um acordo para comprá-la (mas isso é improvável). É razoável, também, esperar que a Berkshire possa considerar organizar outra compra no setor de alimentos com sua parceira na Kraft Heinz, a 3G Capital.

Ao opinar sobre as reservas em caixa da Berkshire na reunião geral anual de abril da empresa, Buffett disse que "nunca ficaremos com menos de US$ 20 bilhões em caixa e, de fato, ficaremos confortavelmente acima disso". Isso ainda deixa muito com que trabalhar.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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