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Vizinhos da China estimulam recuperação das commodities

David Stringer

(Bloomberg) -- A economia da China pode até estar se desacelerando, mas uma recuperação nos preços das commodities está em andamento e a maior mineradora do mundo sabe onde o crescimento está ganhando fôlego: nos países emergentes no Sudeste Asiático.

O Produto Interno Bruto combinado do chamado ASEAN-5 - Indonésia, Tailândia, Malásia, Filipinas e Vietnã - crescerá cerca de um terço, para US$ 3 trilhões, nos cinco anos até 2020, o que alimentará projetos de infraestrutura com uso intensivo de commodities. Um impulso semelhante em toda a Ásia ajudará a manter e aumentar a demanda por commodities, disse o CEO da BHP Billiton, Andrew Mackenzie, nesta semana.

"As pessoas se acostumaram muito a acreditar que as commodities eram coisa da China e que se a China perde velocidade, de onde virá o crescimento?", disse Natham Lim, diretor de pesquisa em Sidney da divisão de gestão de patrimônio do Morgan Stanley, em entrevista por telefone. "Essa demanda incremental está vindo dos mercados emergentes, e essa é a parte que as pessoas não conseguem entender".

A Tailândia estuda gastar mais de US$ 50 bilhões em infraestrutura. O Vietnã iniciou grandes projetos, incluindo a modernização da malha ferroviária por US$ 10 bilhões.

A Indonésia tenta acelerar programas que ligam rodovias e portos. Já o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, prometeu novas ferrovias e pistas de pouso e decolagem para aeroportos. Esses mercados "voltaram a crescer após um período de desempenho inferior", segundo Lim.

Demanda

Um indicador da demanda por commodities é o aço. Projeta-se que a demanda nova em todo o Sudeste Asiático aumentará o mercado para as exportações de aço da China, que atingiram volumes recordes nos primeiros sete meses de 2016 e vêm sustentando a alta das importações de minério de ferro.

A China já exporta cerca de 12 por cento da sua produção e poderia incrementar mais as vendas no exterior, segundo Mackenzie, da BHP. A Índia também importará mais minério de ferro, bem como países de todo o Sudeste Asiático, afirmou durante apresentação a analistas na terça-feira.

"Visamos utilizar o aço como indicador representativo, mas também se acharia naturalmente a mesma dinâmica em outras commodities, como alumínio, cobre ou bauxita", disse Lim, do Morgan Stanley.

A demanda por aço no ASEAN-5 crescerá cerca de 6 por cento neste ano e em 2017 graças à construção de infraestrutura, segundo a World Steel Association.

O consumo de 74,6 milhões de toneladas em 2017 será maior do que em regiões como a África e o Oriente Médio e se compara com uma demanda projetada para a China de 626,1 milhões de toneladas, informou a associação em abril.

Beneficiadas

BHP, Whitehaven Coal, Alumina e Evolution Mining são algumas das empresas que, segundo Lim, se beneficiarão com o crescimento da Ásia emergente.

As ações da BHP, que nesta semana registrou um salto de 95 por cento nos lucros subjacentes no segundo semestre fiscal, avançaram 2,1 por cento, para 21,29 dólares australianos na bolsa de Sidney, a cotação mais alta desde o dia de 10 de novembro.

A Whitehaven, produtora de carvão, informou na quinta-feira que voltou a registrar lucro líquido no ano fiscal de 2016 após ter dado prejuízo no ano anterior.

"Não estamos dizendo que descobrimos uma nova China ou que a Índia vai se tornar a nova China", disse Lim. "O recado é que o motivo pelo qual projetamos que a demanda virá de fora da China é que é nos mercados emergentes onde vemos a próxima onda de crescimento".

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