Economistas usam camas e Google para medir economia

Piotr Skolimowski e Scott Hamilton

(Bloomberg) -- Para ter uma ideia dos problemas do indicador padrão de crescimento econômico, veja o exemplo das camas. Ou o da mídia.

As camas respondem por uma minúscula parcela do produto interno bruto, embora o ato de dormir seja extremamente útil para os consumidores, segundo um estudo acadêmico apresentado em uma conferência nesta semana, em Dresden, na Alemanha.

Os autores usaram o exemplo para ilustrar sua pesquisa sobre os meios de comunicação online e gratuitos e seu impacto, ou a falta dele, nos números oficiais do PIB.

A abrangente conferência organizada pelo departamento de estatísticas da Alemanha ressalta algumas das fragilidades do secular indicador de bem-estar econômico, que sem dúvida reforça o argumento a favor da busca por métodos melhores.

Outro estudo observa divergências entre o PIB per capita e a mediana da renda familiar -- uma forma de medir a desigualdade -- e conclui que atualmente não existe uma alternativa clara para avaliar tendências nos padrões de vida.

Tome como exemplo o Facebook ou o Google. Esses e outros serviços online oferecem informação e entretenimento a centenas de milhões de pessoas. Contudo, como são gratuitos, sua contribuição para a economia não é, atualmente, capturada pelas contas nacionais.

Pontuando que alguns economistas acreditam que o crescimento do PIB é "bastante subestimado" pela não inclusão da mídia gratuita, Leonard Nakamura, do Federal Reserve da Filadélfia, e Jon Samuels e Rachel Soloveichik, do Escritório de Análises Econômicas dos EUA, tentaram chegar a um número.

Eles atribuíram números de produção e consumo para mídias respaldadas por publicidades tratando o modelo de negócio como uma série de operações de permuta -- vídeos do YouTube por visualizações de anúncio.

Diante disso, os resultados podem decepcionar os críticos do PIB. A inclusão das mídias gratuitas teria ampliado a produção real nos EUA entre 1998 e 2012 em apenas 0,009 por cento ao ano. Contudo, os pesquisadores também fizeram uma ressalva fundamental: PIB não é sinônimo de utilidade.

"Há muitas áreas da economia nas quais o gasto do consumidor em uma atividade é muito mais baixo do que a utilidade total dessa mesma atividade", disseram eles. "Por exemplo, o ato de dormir ocupa cerca de um terço do tempo total e é de enorme utilidade. Contudo, as camas representam uma fração muito pequena do gasto do consumidor".

Outro estudo apresentado na conferência, por Brian Nolan, Max Roser e Stefan Thewissen, do Institute for New Economic Thinking, analisa o PIB per capita.

O indicador superou a renda familiar mediana nas últimas décadas em muitos países desenvolvidos, particularmente nos EUA. Segundo os autores, isso gerou pedidos para que a renda da família "típica" recebesse mais atenção na avaliação de tendências do bem-estar econômico.

Após analisar dados de 27 países, eles descobriram que, na verdade, o encolhimento do tamanho das famílias muitas vezes contribuiu mais para a divergência do que a desigualdade de renda.

Eles concluíram, afinal, que atualmente não existe um único método ideal para avaliar a prosperidade de um país. Apenas um cuidadoso estudo caso a caso dos indicadores individuais de cada economia permitirá que os pesquisadores julguem se os esforços para promover um crescimento real da renda foram um sucesso ou um fracasso, disseram eles.

Em outras palavras, o PIB pode ter crescido em relação à sua origem humilde, durante a Grande Depressão, e ter se tornado um indicador essencial para os governos e bancos centrais de todo o mundo, mas não deve ser o fim da história.

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