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Por que mais mulheres estão adiando a aposentadoria nos EUA

Ben Steverman

(Bloomberg) -- É cada vez maior o número de americanos idosos que trabalham por mais tempo. As mulheres explicam boa parte do fenômeno, sugere uma nova pesquisa.

Pessoas com mais de 65 e até de 70 anos que trabalham já não são tão raras quanto antes nos EUA; basta perguntar a Hillary Clinton, 68, ou a Donald Trump, 70.

Hoje os americanos estão mais propensos a trabalhar depois dos 65 anos do que em qualquer outro momento desde a criação do sistema de seguros de saúde Medicare, nos anos 1960 -- mas em sua maioria são homens, acostumados a trabalhar já muito idosos. (Basta lembrar de Carl Icahn, que ainda movimenta o mercado com seu ativismo nos investimentos aos 80 anos, ou de Warren Buffett, que aos 86 anos lidera a Berkshire Hathaway, uma empresa de US$ 360 bilhões).

Atualmente mais mulheres trabalham até idades em que suas mães e avós já haviam se aposentado havia bastante tempo. Economistas e outros acadêmicos tentam entender os motivos e uma pesquisa sugere que a tendência continuará e pode acelerar.

Um dos primeiros fatores do trabalho em idade avançada é o nível de ensino: homens e mulheres com ensino superior têm maior probabilidade de trabalhar depois dos 65 ou na casa dos 70 anos do que os americanos de escolaridade menor. E o número de formados na universidade está aumentando.

O histórico do trabalho, em si, também influencia. O rápido aumento do número de mulheres no mercado de trabalho nos anos 1970 e 1980 fez com que essas mulheres, agora mais velhas, tenham habilidades laborais, conexões e carreiras que podem continuar perseguindo.

À medida que os baby boomers (membros da geração nascida após a Segunda Guerra Mundial) mais velhos começam a chegar aos 70 anos, eles não apenas estão trabalhando, mas estão trabalhando cada vez mais em período integral.

Quase metade das mulheres que trabalham depois dos 65 anos estão em empregos de período integral e durante o ano todo, contra cerca de 30% 20 anos atrás, descobriram os professores de Economia da Universidade de Harvard Claudia Goldin e Lawrence Katz em uma nova pesquisa.

Um dos principais fatores pelos quais as mulheres estão adiando a aposentadoria é que elas gostam de seus empregos, disseram Goldin e Katz, que analisaram dados de pesquisa ligados a registros de remunerações da aposentadoria. "À medida que os empregos se tornam mais prazerosos e menos onerosos e que vários cargos se tornam parte da identidade do indivíduo, as mulheres trabalham mais tempo", escreveram.

As crianças, por outro lado, não influenciam tanto o trabalho das mulheres até 65 anos ou mais, descobriram Goldin e Katz. Ter filhos dificulta a permanência das mulheres no mercado de trabalho em tempo integral entre 25 e 44 anos -- algo que Goldin e Katz atribuem, em parte, ao fato de licença parental de mais de 12 semanas não ser obrigatória nos EUA --, mas não afeta sua participação em um momento posterior da vida.

Embora essas mães possam acabar ganhando menos do que se não tivessem tido filhos, elas parecem estar reiniciando as carreiras interrompidas quando seus filhos estão mais velhos.

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