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Análise: Gafe de governança no casamento Janus-Henderson

Chris Hughes

(Bloomberg) -- Faça como eu digo, não faça como eu faço. Os gestores de recursos vivem censurando fusões de iguais com governança suspeita.

Mas esta é a estrutura que Janus Capital e Henderson escolheram para a união de gestão de fundos de US$ 6 bilhões revelada na segunda-feira.

O acordo em si é bem pensado – se os arranjos curiosos de governança forem temporários.

São duas as questões que tiram o sono de líderes como Dick Weil, da Janus, e Andrew Formica, da Henderson: Como encontrar novos fundos para vender a clientes existentes? E como vender fundos existentes a novos clientes?

A solução padrão é contratar estrelas, como Bill Gross, apostar em gestores aspirantes (geralmente gente que trabalhava nas mesas de negociação dos bancos de investimento) e cultivar equipes de vendas no exterior. Tudo isso é demorado, caro e arriscado.

Juntar o endereço da Janus, em Denver, com o da Henderson, em Londres, trata desses males. Cada uma ganha novos produtos e equipes de vendas nos mercados da outra. Não há produto mágico que a dupla possa oferecer que os clientes não pudessem obter junto a uma das partes, mas é plausível que a "Janus Henderson Global Investors" conquiste fatia de mercado por meio da venda cruzada. A projeção é que a entrada de novos recursos aumente apenas 2 a 3 por cento.

Haverá economia de custos com a eliminação de esforços paralelos de ataque aos mercados da outra. Essas economias equivalem a US$ 110 milhões anuais, ou pelo menos US$ 800 milhões após impostos e capitalização.

Os investidores aplaudiram. As ações da Henderson deram um salto de 13% e seu valor de mercado aumentou em 330 milhões de libras esterlinas. Isso se aproxima da parcela dos acionistas da criação de valor declarada a partir do acordo, com base na participação de 57% do negócio combinado.

Mas voltando à governança. Os termos juntam os negócios pelo preço médio recente sem prêmio para nenhum lado. Weil e Formica serão copresidentes. Geralmente, é melhor uma parte pagar prêmio à outra e assumir controle completo. Neste caso, a Henderson, de maior porte, precisaria dar esse passo. Porém, a equipe da Janus provavelmente partiria junto com Weil. Assim, a Henderson pagaria ágio e ficaria com menos.

Isso não significa que a estrutura com dois presidentes deva persistir. Weil e Formica precisam acertar que um deles eventualmente assumirá as rédeas e deixar isso claro.

Será que o acordo convencerá outras gestoras de recursos do Reino Unido a buscar fusões internacionais pelos mesmos motivos? As ações da Aberdeen Asset Management chegaram a subir 5,6% na segunda-feira.

Não é bem assim. O casamento Henderson-Janus foi viável porque a Henderson pode sacrificar sua listagem primária em Londres a Nova York, onde são negociadas as ações da Janus, sem passar vergonha.

A Henderson manterá listagem paralela em Sidney. A base de investidores em Londres será a menor na instituição combinada. O fato é que a negociação de papéis da Henderson migraria de Londres para os EUA de qualquer jeito. Outros grupos de fundos listados no Reino Unido podem ter dificuldades para alinhavar um acordo transatlântico sem prêmio e nos mesmos termos.

Se a governança puder ser simplificada, há mais motivos para elogios do que críticas ao acordo da Henderson – a menos que você seja investidor de um banco de investimento e torça para receber fundos da Henderson ou da Janus.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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