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Trump é 'filme de terror' para o rei do cinema mexicano

Eric Martin

(Bloomberg) -- Uma presidência de Donald Trump poderia encarecer o investimento em vários mercados, do México ao Chile, por causa das promessas do candidato de adotar uma política comercial mais protecionista para os EUA, disse o presidente da Cinépolis de México, a quarta maior rede de cinemas do mundo.

O Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), que Trump prometeu eliminar ou renegociar, foi fundamental para o desenvolvimento econômico do México, país natal da Cinépolis e seu maior mercado, e dos EUA, disse o presidente da empresa, Alejandro Ramírez.

A companhia aproveitou a isenção de impostos para importar equipamentos de áudio e de projeção para o México, e os estúdios de Hollywood fornecem a maioria dos filmes que ela exibe em cinemas de 13 países. Além disso, a Cinépolis, com sede em Morelia, no México, gasta milhões de dólares por ano em produtos americanos, do milho que vira pipoca ao queijo para os nachos, disse ele.

Nos EUA, a Cinépolis investiu mais de US$ 130 milhões desde que abriu seu primeiro cinema na Califórnia, em 2011, e emprega 1.400 pessoas. A empresa de capital fechado pretende abrir novas salas premium -- onde garçons servem pratos como rolinhos de lagosta e pizza de massa fina aos frequentadores em poltronas de couro reclináveis (importadas do México) -- nos estados americanos do Texas, Ohio e Virgínia, segundo o executivo de 45 anos.

"Muitos americanos não percebem que nos 22 anos desde que o Nafta foi promulgado a América do Norte se tornou extremamente integrada e é por isso que podemos competir com a Ásia e a Europa", disse Ramírez, cujo avô criou a rede de cinemas há mais de quatro décadas, em entrevista por telefone, de Washington, na terça-feira. "Se o Nafta acabar, a capacidade de importar material dos EUA ficaria prejudicada."

Em resposta, o assessor de política econômica de Trump e professor da Universidade da Califórnia, Peter Navarro, disse que o Nafta concedeu ao México uma vantagem injusta.

"Donald Trump quer que a relação comercial com o México seja uma parceria verdadeira, em que ambos os países compartilhem igualmente os benefícios desse comércio", disse Navarro. "Ele renegociará o Nafta para remediar a atual relação comercial injusta."

Globalmente, a Cinépolis deverá vender mais de 300 milhões de ingressos neste ano, um aumento de 15 por cento em relação a 2015, disse Ramírez.

Seu maior otimismo é o crescimento na Índia, impulsionado pela expansão da classe média, e no Brasil, onde a rede se sairá bem como uma alternativa "antirrecessão" a formas mais caras de entretenimento, segundo ele. O México continua sendo, de longe, seu mercado mais importante, com cinemas em 97 cidades e uma fatia de quase 66 por cento do mercado.

"É uma pena que o Sr. Trump diga tantas coisas inexatas e que pareça estar conseguindo se dar bem com isso em certos aspectos", disse Ramírez. "Realmente eu acho que ele seria como um filme de terror, particularmente para a América do Norte."

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