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Xisto dos EUA sobrevive à guerra de preços da Opep

Angelina Rascouet, Grant Smith e Javier Blas

(Bloomberg) -- Quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) iniciou sua guerra de preços, o boom do xisto americano parecia condenado.

Dois anos e uma reviravolta na política da Opep depois, os executivos da conferência anual Oil & Money, em Londres, pintaram uma perspectiva otimista para o xisto, com gigantes como Exxon Mobil e ConocoPhillips afirmando que o setor não apenas sobreviveu à queda, mas continuará tendo influência global.

"Confirmamos a viabilidade de uma base de recursos bastante grande na América do Norte", disse o CEO da Exxon, Rex Tillerson. "Nunca aposte contra a criatividade e a tenacidade desse segmento do nosso setor."

As consequências irão repercutir no setor de energia e na economia mundial. Há uma série de produtoras de xisto prontas para ampliar a produção quando os preços subirem, o que poderia limitar qualquer recuperação a cerca de US$ 60 o barril nos próximos anos, independente de qualquer decisão da Opep de reduzir a produção. Tillerson afirmou que em vez de acabar como vítima da batalha por participação de mercado liderada pelos sauditas, o setor oferecerá a "capacidade extra" para atender a demanda futura.

Sinais de alerta

Trata-se de uma visão que coloca Tillerson contra algumas das vozes mais poderosas do setor, incluindo Khalid Al-Falih, ministro da Energia saudita, e Patrick Pouyanne, CEO da gigante francesa do petróleo Total. Ambos alertaram que dois anos de preços baixos e cortes de investimento deixaram o setor global mal preparado para fornecer petróleo suficiente no fim da década.

"Muitos analistas atualmente estão dando sinais de alerta sobre déficit na oferta futura e eu faço parte desse grupo", disse Al-Falih.

Ainda não se sabe se haverá déficit na virada da década. Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, afirmou que os preços do petróleo, de cerca de US$ 50 a US$ 60 por barril, podem estimular uma oferta suficiente para as necessidades de curto prazo até 2020. A assessoria com sede em Paris também alertou sobre o impacto de longo prazo dos cortes sem precedentes nos investimentos.

Enquanto isso, a visão quase unânime do setor é de que a produção de xisto poderá crescer novamente. A Administração de Informação de Energia dos EUA estima que a produção de petróleo começará a aumentar novamente no primeiro trimestre de 2017, atingindo 8,8 milhões de barris por dia até o fim do ano que vem, contra cerca de 8,4 milhões agora.

"O preço do petróleo está essencialmente inalterado em relação à conferência do ano passado, mas o tom das companhias pareceu mais otimista", disse Lydia Rainforth, analista de ações de petróleo do Barclays em Londres. "A maioria dos palestrantes da conferência fez referência a um barril entre US$ 50 e US$ 60 como um preço razoável para o petróleo no mercado a curto prazo."

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