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Geração pós-Segunda Guerra troca Corvette por conforto nos EUA

David Welch

(Bloomberg) -- A geração nascida após a Segunda Guerra Mundial nos EUA, conhecida como baby boomers, está começando a deixar para trás os anos de crise da meia de idade, e isso é uma má notícia para as fabricantes de automóveis que querem vender carros esportivos.

A decisão da Ford Motor, neste mês, de paralisar a fábrica do Mustang por uma semana após as vendas caírem 9 por cento no ano é um sinal do que está por vir. Outros carros esportivos apresentaram declínios similares nas vendas e até mesmo o sólido Chevrolet Corvette e a maioria dos modelos da Porsche estão em queda.

As fabricantes de veículos enfrentam uma realidade incômoda. Os homens nascidos entre 1946 e 1964, que compram a maioria dos carros esportivos, estão passando dos anos de picos de gastos. E chegando aos 70 anos, dobrar-se como uma sanfona para entrar no assento da frente de um esportivo não é exatamente a melhor receita para uma dor nas costas. Alguns estão até recorrendo a versões potentes de SUVs de luxo.

"Os boomers estão começando a ficar velhos demais para os carros esportivos", disse Eric Noble, presidente da consultoria CarLab, de Orange, Califórnia, nos EUA. "Quando você chega aos 60, o conforto se torna mais importante. Os carros esportivos não vão desaparecer, mas o mercado se tornará menor."

A mudança de geração também não ajudará muito os carros esportivos, disse Noble, porque há menos integrantes da geração X, ou seja, com cerca de 35 a 50 anos. E a geração Y ainda não ganha o suficiente para comprar um Mustang, que é vendido a partir de US$ 24.915, e menos ainda para ter um Corvette Z06, que pode superar a casa dos US$ 100.000, disse Noble.

A Ford provavelmente venderá mais de 100.000 Mustangs neste ano, mas até julho cerca de 25 por cento do total havia ido para agências de aluguel de veículos e para outras frotas corporativas, segundo a IHS Markit, que monitora registros de veículos. Mesmo com muitos carros indo para compradores de frotas, as vendas estão em queda.

Neste ano, cerca de 40 por cento dos compradores do Mustang foram baby boomers, contra 50 por cento em 2013. A boa notícia é que os consumidores na casa dos 20 ou dos 30 anos agora respondem por 22 por cento dos compradores de Mustang, contra 15 por cento três anos atrás, disse Mark Schaller, gerente de marketing para o Mustang. Mas a base de consumidores encolheu.

"Estamos vendo alguns boomers mais velhos deixarem o mercado", disse Schaller. "O Mustang é um veículo para uma determinada época da vida."

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