Yellen imita Greenspan em troca de papéis da década de 1990

Rich Miller

(Bloomberg) -- Quando Janet Yellen era novata na condução da política monetária, em setembro de 1996, ela e Laurence Meyer, seu colega no banco central dos EUA (Federal Reserve), foram à sala do chefe, Alan Greenspan, defender o aumento dos juros. Com o desemprego próximo de 5 por cento, eles temiam que a inflação ganhasse fôlego se a ociosidade no mercado de trabalho recuasse muito mais.

O presidente do Fed ouviu o que tinham a dizer, mas manteve os juros inalterados até o ano seguinte. O desemprego chegou a cair para o menor nível em 30 anos de 3,8 por cento em 2000 e a inflação nunca disparou.

Agora Yellen se vê no papel de Greenspan, com alguns de seus subordinados defendendo a alta dos juros. Novamente, o desemprego está na casa de 5 por cento, próximo do patamar que muitos economistas consideram correspondente ao pleno emprego.

Mas, como Greenspan na ocasião, a atual comandante do Fed resiste a pressões para elevar a taxa básica, optando por dar espaço para a economia avançar. A expectativa generalizada é que o comitê de política monetária (FOMC) decidirá manter os juros inalterados pela sétima vez na reunião de dois dias que começa na terça-feira.

"Ela viu naquela época o que uma economia de alta pressão pode fazer", disse o ex-vice-presidente do Fed Alan Blinder, que trabalhou no banco central americano com Yellen de 1994 a 1996 e depois foi coautor com ela do livro "The Fabulous Decade: Macroeconomic Lessons From the 1990s" (A década fabulosa: Lições macroeconômicas dos anos 1990).

Disposta a explorar

Isto não quer dizer que Yellen esteja disposta a permitir que o desemprego recue para menos de 4 por cento. Isto sugere que ela está disposta a explorar até que ponto o desemprego pode cair, ao mesmo tempo em que fica de olho nos salários e em especial na inflação, observando sinais de que estão se acelerando demais.

"Você investiga e então olha ao redor", disse Meyer, que hoje dirige a consultoria LH Meyer Inc. "O único perigo é que essas coisas se movem tão lentamente que, quando você descobre se o que fez foi prudente, já é tarde demais."

Meyer espera que o Fed suba os juros em dezembro, após a eleição presidencial da semana que vem. A política monetária continuará dando suporte à economia depois disso porque a taxa básica de juros permanecerá baixa, ele disse.

Os integrantes do banco central dos EUA sinalizaram uma elevação de juros em 2016 e mais dois acréscimos de 0,25 ponto percentual no ano que vem, de acordo com a projeção mediana divulgada em setembro. Essas decisões levariam a taxa básica a 1,1 por cento no fim de 2017, comparado à máxima de 5,25 por cento em 2007, durante o último ciclo de expansão.

Economia de 'alta pressão'

Yellen levantou a possibilidade de comandar uma economia de "alta pressão" durante um discurso em Boston, em 14 de outubro. O objetivo: arrumar parte do estrago econômico causado durante a recessão de 2007-2009 ao incentivar americanos desiludidos a voltar para a força de trabalho e ao incentivar empresas cautelosas a aumentar investimentos.

O FOMC parece ter comprado esta estratégia - até certo ponto. Seus integrantes calculam que o desemprego diminuirá para 4,5 por cento no fim de 2018, segundo projeções publicadas em setembro. É pouco abaixo da estimativa mediana de 4,8 por cento do pleno emprego, também conhecido como taxa natural de desemprego, que não alimenta a inflação.

Na última reunião que tiveram, os integrantes do FOMC debateram se deveriam ir além, de acordo com a ata do encontro de setembro. Alguns viram benefícios nisso, argumentando que a inflação está abaixo da meta do Fed, de 2 por cento, e que o crescimento econômico é apenas modesto.

Eles também destacaram que a taxa natural de desemprego "pode ser menor do que se pensava". Em discurso em março, Yellen afirmou que era mais provável que fosse significativamente menor do que 4,8 por cento do que maior do que isso, diante do reajuste contido dos salários.

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