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Análise: Previsões eleitorais e de mercado erram sobre Trump

Rebecca Spalding e Dani Burger

(Bloomberg) -- Até aqui, as projeções de que o mercado acionário dos EUA viraria do avesso após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial parecem tão boas quanto as pesquisas de intenção de voto.

Embora as ações tenham desabado durante a apuração, a reação desde então foi de forte recuperação. O comportamento das Bolsas não se parece com os cenários desastrosos discutidos em Wall Street nas semanas anteriores à votação. Em vez de cair 10% –como previsto por entidades diversas, do Barclays à Brookings Institution–, o S&P 500 disparou.

Especialistas em política e finanças ficaram pasmos com o resultado. Os estrategistas de mercado foram convencidos de que Trump prejudicaria as Bolsas, dado que os índices acionários pegaram o hábito desde julho de se mover junto com as chances de vitória de Hillary Clinton.

Ainda é cedo para afirmar que as previsões estavam redondamente erradas. Contudo, posições de defesa oportunas e o otimismo em relação ao programa econômico de Trump estão levando as Bolsas para uma direção inesperada.

"O mercado deu uma guinada completa", disse Jonathan Golub, estrategista-chefe para o mercado dos EUA na RBC Capital, que antes da terça-feira (8) previa que uma vitória de Trump derrubaria o S&P em 10% a 12%.

"Agora é como se o risco do mercado estivesse sendo drenado. Os títulos do Tesouro subiram 10 pontos-base. Isso mostra que o mercado está muito focado na agenda econômica apresentada por Trump e não nos resultados eleitorais."

Durante a madrugada após a votação, os futuros do S&P 500 caíram 5% e os limites de negociação na Bolsa Mercantil de Chicago (CME) foram ativados. Mas quando os investidores dos EUA acordaram com um novo presidente eleito, a queda estava menos acentuada e o Dow Jones chegou a subir 317 pontos, encostando brevemente em um recorde.

Em seu primeiro discurso como vencedor, Trump encerrou uma das campanhas mais polarizadoras da história americana com uma mensagem de união e prosperidade econômica.

Foi isso o que acalmou os mercados, de acordo com Keith Parker, do Barclays, que antes havia alertado que as Bolsas dos EUA poderiam recuar até 13% se o candidato republicano prevalecesse.

"Assim como no 'Brexi't, as cotações do mercado embutiam o pior cenário possível", disse Parker, responsável por alocação de ativos no banco, em Nova York. "E, no pior cenário, Trump se concentraria em comércio exterior e imigração, que são medidas negativas para o crescimento e negativas para o sentimento. Mas não foi nisso que focou seu primeiro discurso."

Não apenas Wall Street temia a reação dos mercados com uma vitória de Trump. Em um estudo divulgado pela Brookings, os professores de economia Justin Wolfers e Eric Zitzewitz escreveram que as bolsas ao redor do mundo cairiam 10% a 15% imediatamente após a eleição.

A projeção deles extrapolava o comportamento dos mercados durante e após o primeiro debate presidencial em setembro, que empurrou as chances de Hillary para 69 por cento na bolsa britânica de apostas Betfair.

"Os padrões de retorno estão todos alinhados com o que esperávamos, mas a magnitude é menor, o que é bom porque eu não queria ver uma queda de 10%", disse Zitzewitz, acrescentando que o tombo observado na madrugada da eleição estava dentro da margem de erro. "Os movimentos foram um pouco menores do que tínhamos previsto. O discurso dele às 3 da manhã aparentemente acalmou as coisas."

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