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Sucesso de rivais da Opep está em mercado de petróleo distante

Serene Cheong

(Bloomberg) -- Para alcançar os principais consumidores de petróleo da Opep, seus rivais estão descobrindo que o caminho longo é melhor do que qualquer atalho para o sucesso.

No momento em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo está buscando implementar um acordo para limitar sua oferta, o excedente ampliado por sua estratégia anterior de manter a produção a todo vapor deu origem a uma estrutura de mercado que está beneficiando os concorrentes do grupo nas vendas à Ásia.

Carregamentos do Mar do Norte, na Europa, atingirão a Coreia do Sul nos próximos meses e o porto de Yeosu recebeu em novembro petróleo de xisto de Eagle Ford, nos EUA, e óleo mexicano. As refinarias japonesas e tailandesas têm comprado West Texas Intermediate da BP.

Os embarques para a Ásia provenientes de lugares mais distantes que o Oriente Médio estão ganhando atratividade devido ao aprofundamento de uma estrutura de mercado conhecida como contango, na qual a oferta de curto prazo é mais barata do que a dos meses futuros. Os vendedores tiram proveito disso porque o valor da carga sobe enquanto ela realiza uma jornada mais longa até o destino.

Para os compradores, a produção abundante ao longo do Oceano Atlântico deixou o petróleo da América do Norte e da Europa mais barato em relação ao de países da Opep como Emirados Árabes Unidos e Catar.

"O contango maior deu aos rivais da Opep uma chance de carregar um navio e enviar petróleo de todos os cantos do globo para a Ásia, mesmo que ele navegue por até dois meses", disse Nevyn Nah, analista em Cingapura da consultoria do setor Energy Aspects.

"A luta da Opep por participação de mercado em meio à recuperação da produção de membros como Nigéria e Líbia, além da produção maior de lugares como a Rússia e as antigas regiões da União Soviética, ampliou o excesso de oferta do mercado."

O prêmio das ofertas tardias de Brent, referência de mais da metade do petróleo do mundo, sobre os carregamentos de curto prazo está atualmente em cerca de US$ 5 o barril, contra um contango de US$ 2 no fim de abril. A situação contrasta com a de mais de dois anos antes, quando os embarques tardios apresentavam desconto de mais de US$ 7. Na época, o petróleo era negociado a mais de US$ 100 o barril antes de o excedente global derrubar os preços em mais de 50%.

O valor dos carregamentos de petróleo Brent em três meses é cerca de US$ 1 por barril maior que o dos carregamentos para dois meses. O custo de frete de um navio por 30 dias é inferior, de 80 a 85 centavos por barril, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados da corretora de navios Howe Robinson Partners.

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