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Acumulação nos EUA pode ser um bom sinal para economia

Patrick Clark

(Bloomberg) -- Para John Bull, um empreiteiro especializado em centros de armazenamento que mora em Portland, Oregon, um dia normal envolve supervisionar um habilidoso grupo de 10 pessoas que usa chapas finas de aço e furadeiras para construir monumentos ao materialismo americano de 9.290 metros quadrados. As equipes conseguem concluir um a cada quatro meses, mas atualmente essa velocidade é insuficiente. A demanda pelos serviços de Bull está em alta -- tanto que ele foi obrigado a complementar as equipes com trabalhadores menos experientes. "Tem 20 anos que não vejo tantos negócios na fila de uma vez", disse ele.

Depois da Grande Recessão, parecia que os consumidores dos EUA haviam recuperado a confiança mais rapidamente do que as pessoas que constroem e financiam esses depósitos pequenos. Foi uma boa notícia para os proprietários e uma má notícia para as pessoas com porões abarrotados, porque o aluguel dos depósitos aumentou e os capitalistas de risco começaram a atacar.

Mas quem quer fazer compras de fim de ano e pretende encher seu trenó no estacionamento tem um motivo para comemorar: o setor de armazenamento pessoal está construindo novamente. Por volta do fim de outubro, incorporadoras investiram US$ 1,5 bilhão na construção de novas unidades de armazenamento e na reforma das antigas, de acordo com dados do Censo dos EUA. O valor supera o que o setor gastou em um ano cheio desde 1993, quando o governo começou a monitorar essa informação.

Em outras palavras, os americanos estão comprando tantas coisas novas que as incorporadoras estão construindo depósitos para as coisas velhas -- a um ritmo recorde. Pode-se dizer que esse é o indicador do acumulador. Ele ilustra o quanto os consumidores dos EUA ficaram confiantes.

As empresas de armazenamento, que ganharam espaço na cultura de consumo dos EUA na década de 1970, se baseia em uma premissa simples: nos EUA, embora as casas fiquem maiores a cada ano (com um crescimento de mais de 60 por cento desde 1973), elas continuam pequenas demais para tudo o que os americanos compram. As empresas de depósito afirmam que os motores de seus negócios são óbito, desastre e divórcio, mas isso implica que os clientes só usam as instalações de forma temporária. Qualquer um que tenha visto os personagens que aparecem no seriado "Quem Dá Mais?", do canal A&E, sabe que isso é uma bobagem. A regra geral é que os clientes dos depósitos se mantêm ativos três ou quatro vezes por quanto tempo eles quiserem, disse Ryan Burke, analista da Green Street Advisors, uma empresa de pesquisa com sede em Newport Beach, Califórnia.

"O cliente americano dos depósitos pessoais é, sem dúvida, uma das criaturas mais irracionais da face da Terra", disse Burke.

Com a recessão, não ficou mais fácil para os americanos se desfazer de seus bens, mas ficou mais difícil para as incorporadoras conseguir empréstimos e construir novos centros de armazenamento. As taxas de vacância caíram, o que possibilitou que as empresas aumentassem o valor do aluguel e triplicou os preços das ações dos proprietários de depósitos pessoais de capital aberto durante os últimos dez anos.

A escassez da oferta de depósitos contribuiu para o surgimento de um novo modelo de negócios -- chamado serviço completo ou armazenamento com valete. As pioneiras foram as startups que buscam os itens para armazenar e os levam de caminhão para os depósitos. Entre os novos empreendedores estão a MakeSpace, que tem sede em Nova York e captou US$ 30,5 milhões em capital de risco, e a Clutter, que tem sede em Los Angeles e captou US$ 32,3 milhões.

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