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Singapore Airlines também quer ser aérea de baixo custo

Lionel Bonaventure/AFP
Imagem: Lionel Bonaventure/AFP

Justin Bachman

15/12/2016 12h39

(Bloomberg) -- Quando se pensa na Singapore Airlines, vêm à cabeça imagens de cabines premium confortáveis, assentos de couro feitos sob medida e champanhe em abundância, servido pelas "garotas Singapore", as emblemáticas comissárias de bordo da empresa.

Sim, ela é tudo isso. Mas essa companhia aérea de luxo está empenhada em se diversificar, e as linhas de baixo custo entraram em seu radar corporativo. Ela é dona da companhia de tarifas módicas Scoot; de 49% da Vistara, uma joint venture na Índia com a Tata Sons; e da NokScoot, uma aérea tailandesa de baixo custo que a Singapore possui em uma joint venture com a Nok Airlines. Esta coleção de companhias aéreas -- e também uma nova variante do Airbus A350 de "alcance ultralongo" que chegará em 2018--- possibilita que a Singapore explore uma série de planos de expansão, muitos deles atualmente voltados para a América do Norte.

Não é coincidência que a região continue a ser um caso de enorme sucesso de rentabilidade para as empresas aéreas. Ela fornecerá aproximadamente dois terços da receita líquida do setor no próximo ano, projetada em US$ 29 bilhões, de acordo com estimativas divulgadas em 8 de dezembro pela Associação Internacional de Transporte Aéreo.

A carteira de companhias aéreas da Singapore oferece "muito mais agilidade e flexibilidade para responder às necessidades dos mercados", disse o CEO Goh Choon Phong em uma entrevista em Nova York no dia 6 de dezembro.

Pressionada por todos os lados

No mês passado, a Singapore informou uma queda de 70% na receita líquida e alertou que 2017 também poderá ser um ano desafiador. A companhia enfrentou dificuldades devido à expansão das aéreas de baixo custo em sua região natal e às medidas tomadas por um trio de companhias de serviço completo, com sede no Oriente Médio, com o objetivo de atacar sua principal bandeira destinada a passageiros executivos premium.

"As coisas não vão voltar à normalidade", disse Goh, engenheiro formado em Ciência da Computação no M.I.T. que optou por uma companhia aérea em detrimento da carreira acadêmica. "Essas mudanças são estruturais; essas mudanças não vão desaparecer."

Neste contexto, o CEO receitou diversificar a receita, renovar o foco em confortos na cabine para os consumidores que gastam muito e conquistar novos mercados.

No entanto, além dos clientes endinheirados que desejam detalhes nos voos longos, a aérea de baixo custo Scoot, da Singapore, também está ávida para crescer. Em junho, a Scoot começará seu voo mais longo até o momento, a Atenas, cidade onde a Singapore interrompeu o serviço com sua bandeira principal. A Scoot ampliará para 20 sua frota, exclusivamente composta por aeronaves 787, nos próximos anos e provavelmente buscará mercados onde o tráfego da cabine premium é insuficiente para os voos da bandeira com a marca Singapore, disse Goh.

"A Scoot também poderia buscar algum tipo de operação nos EUA", disse Goh. "Em algum momento, eles vão analisar os EUA para ver se faz sentido."