Com Trump, ano termina melhor para fundos de hedge dos EUA

Katia Porzecanski, Nishant Kumar e Bei Hu

(Bloomberg) -- Este foi o ano em que os fundos de hedge foram ridicularizados. Fundos de pensão, políticos, o megainvestidor Warren Buffett e até alguns gestores desses fundos falaram publicamente sobre desempenho decepcionante, taxas elevadas e saturação desse mercado.

Gestores conhecidos, como Ray Dalio e John Paulson, entregaram desempenho nulo ou até perdas de dois dígitos. Já gestores especializados em dívidas de recebimento duvidoso, como Jason Mudrick, se beneficiaram da disparada dos preços das commodities. As piores taxas de retorno ficaram por conta de estratégias focadas em tendências macroeconômicas e hedge de renda variável, abaladas pelos múltiplos esticados das ações e por juros baixíssimos.

Mas com o ano chegando ao fim, o segmento recebeu um impulso inesperado. Os efeitos em cadeia da vitória inesperada de Donald Trump à presidência dos EUA impulsionaram as taxas de retorno - revertendo a sina de alguns. Talvez esse quadro se estenda. A expectativa é que as políticas adotadas por Trump causem elevação dos juros, maior dispersão dos lucros entre diferentes setores e maior volume de fusões e aquisições. Assim, os fundos de hedge podem voltar à velha forma em breve.

"A maré definitivamente virou", disse Adam Blitz, diretor de investimentos da Evanston Capital Management, que repassa recursos a fundos de hedge. "Desde a eleição, eu definitivamente senti uma pequena mudança de atitude entre pessoas que dizem 'Não sabemos exatamente o que o futuro trará, mas dificilmente será mais do mesmo."'

Fundos macro decepcionam

A estratégia de apostar em tendências macroeconômicas foi uma das de pior desempenho em 2016. No entanto, a volatilidade deflagrada pela vitória de Trump reverteu o quadro para firmas como Brevan Howard Asset Management e Rubicon Fund Management.

O principal fundo da Brevan Howard disparou em novembro, eliminando as quedas registradas até então. O retorno no ano ficou em 2,8 por cento, segundo correspondência enviada a investidores. O Global Fund, da Rubicon, teve ganho de 21 por cento no mês passado e passou de um saldo negativo a um lucro de 2,2 por cento, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.

Alguns fundos macro, como o Asia Currency Value Fund, que tem US$ 721 milhões aplicados principalmente em câmbio e ouro e é administrado pela firma de Cingapura Dymon Asia Capital, saiu ganhando com apostas pessimistas nas moedas da região ? e especialmente na depreciação do iene em relação ao dólar. O fundo registrou alta de 22 por cento no mês passado e avanço de 45 por cento no ano até novembro .

"Oportunidades transformadoras"

Para outros fundos macroeconômicos de peso, perdas amargas foram limitadas. O fundo Pure
Alpha II, administrado pela Bridgewater Associates, de Ray Dalio, acumulava queda de 10,3 por cento no fim de setembro. Com a alta do mês passado, a perda acumulada até 30 de novembro era de apenas 0,2 por cento, segundo duas pessoas.

O fundo Macro Managers, da Moore Capital Management, reduziu as perdas no ano para 1,23 por cento, de acordo com dados compilados até 1º de dezembro, segundo uma fonte.

Louis Bacon, fundador da Moore, afirmou em carta enviada a investidores em 28 de novembro que está "muito animado" pela primeira vez em anos, devido às "oportunidades transformadoras de negociação que virão no futuro". Moore citou a vitória de Trump, a perspectiva de juros mais altos, dólar forte, ganhos do setor corporativo e maior liquidez no mercado.

"A recente eleição nos EUA, a nosso ver, desencadeou nada menos do que um mar de mudanças no potencial conjunto de oportunidades de negociação para os mercados globalmente", escreveu Bacon.

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