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Barclays em guerra contra multa da bolha imobiliária

Zeke Faux e Hugh Son

(Bloomberg) -- Quando o governo dos Estados Unidos exigiu, há três anos, o pagamento de uma multa recorde pelo JPMorgan Chase & Co., relacionada à venda de títulos tóxicos atrelados a hipotecas, Jamie Dimon foi a Washington para conversar com o então procurador-geral Eric Holder. Dimon, normalmente um crítico explícito do excesso de regulamentação, tentou fazer as pazes.

"Não fui dar murro na mesa", disse o presidente do JPMorgan em uma entrevista tempos depois à Bloomberg TV. "Eu disse: 'Eric, estou aqui para me render. Você é meu juiz e meu júri. Não tenho escolha'." Um mês depois, ambas as partes fecharam um acordo de US$ 13 bilhões.

Jes Staley, que foi vice de Dimon no Chase, está adotando uma postura mais combativa no comando do Barclays Plc. O governo americano entrou com uma ação contra o banco londrino em 22 de dezembro, depois que o presidente do Barclays decidiu suspender as negociações para um acordo.

Os promotores alegam que o Barclays enganou repetidamente os investidores ao vender US$ 31 bilhões em bônus atrelados a hipotecas há uma década, antes do estouro da bolha imobiliária. O banco rejeitou as acusações do governo em um comunicado, classificando-as de "desconectadas dos fatos".

Lucro zerado

A ameaça de uma multa de bilhões de dólares pairava sobre a cabeça de Staley desde que assumiu o posto de presidente do Barclays no ano passado, ofuscando seus esforços para enxugar as operações do banco e focar novamente em seus principais mercados no Reino Unido e EUA. Nos últimos cinco anos, quase todo o lucro da instituição foi zerado devido a despesas de 20 bilhões de libras esterlinas relacionadas a acusações por práticas irregulares.

As conversas com o governo americano começaram mal desde o início. A primeira multa proposta pelos promotores era tão alta que o banco a considerou uma tática de negociação, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto, que não quis revelar o valor.

O banco britânico argumentou que a multa deveria ser proporcional à sua participação no mercado de títulos atrelados a hipotecas durante a bolha imobiliária, disseram duas outras pessoas. Seguindo essa lógica, o Barclays pagaria bem menos do que o JPMorgan.

O governo americano disse que tais métricas não servem para calcular práticas irregulares. As autoridades então reduziram a multa para US$ 5 bilhões, mas o Barclays se recusou a pagar mais do que US$ 2 bilhões, segundo uma pessoa próxima às negociações. Staley concluiu que cobrir a diferença seria impossível, disse uma pessoa.

Staley deve ter aprendido a lição sobre o que aconteceu com o ex-presidente do Barclays, Robert Diamond, que cooperou com as investigações regulatórias sobre a manipulação das taxas de juro de referência em 2012. O banco foi o primeiro a fechar um acordo e elogiado por sua cooperação. Mas Diamond foi obrigado a renunciar em meio à pressão da opinião pública.

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