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Venezuela passa da recessão à depressão com queda de 10% no PIB

Andrew Rosati

(Bloomberg) -- Os venezuelanos precisam enfrentar um labirinto de filas para compra produtos básicos, como açúcar ou aspirina. Eles se acostumaram a encontrar as prateleiras das lojas vazias, uma frustração que às vezes acaba instigando saques. A população não precisa de dados econômicos para saber que 2016 foi um ano horrível.

Mesmo assim, quando e se os números forem divulgados, eles provavelmente confirmarão um colapso quase sem precedentes fora de tempos de guerra. O governo interrompeu há tempos a publicação regular dos números do PIB e mantém silêncio desde fevereiro.

Mas a estimativa do Fundo Monetário Internacional, de contração de 10%, transformaria a Venezuela na pior economia do mundo no ano passado --e a taxa está perto da extremidade otimista do espectro. Economistas privados calculam a queda em até 15%.

Após o terceiro e mais duro ano do que agora se qualifica como uma depressão completa, a Venezuela perdeu quase um quinto de sua produção. Sem controle de gastos, o governo foi afetado pelo colapso de 2014 nos preços do petróleo, que drenou os dólares da economia, deixando muitos produtos básicos em falta e elevando a inflação anual a três dígitos.

Enquanto os economistas do país tentam determinar os números, os historiadores venezuelanos não conseguem encontrar paralelos para tal queda, pelo menos desde a Guerra da Independência, há dois séculos.

"Seria possível dizer que essa é uma economia de tempos de guerra", disse José Manuel Puente, economista do Instituto de Estudos Avançados em Administração, de Caracas. "Mas os números da Venezuela deste ano são piores que os de economias em guerra."

Em realidade, alguns países tiveram desempenhos piores nesta década: Síria e Líbia viram suas economias encolherem à metade em meio a guerras civis, segundo o FMI. Mas em 2016 a Venezuela ficou sozinha. O presidente Nicolás Maduro pareceu reconhecer o fato em um de seus primeiros discursos públicos deste ano.

"2016 foi o ano mais duro, difícil e longo que já tivemos", disse Maduro, na segunda-feira.

Para ter um paralelo local, é preciso ir muito além da memória viva, segundo o historiador Tomás Straka.

"Em termos de fenômenos como migração massiva, fome e abandono de casas, isto é comparável apenas com a Guerra da Independência", disse ele. O conflito, que esvaziou cidades inteiras, terminou em 1823. Ele foi liderado por Simón Bolívar; Straka dá aulas na Universidade Católica Andrés Bello, nome de um auxiliar de Bolívar.

'Tudo vindo abaixo'

É claro que a devastação atual tem uma escala menor; contudo, muitos venezuelanos fugiram do país e muitos dos que ficaram passam fome.

Na padaria que administra na região leste da capital, Douglas Palencia, 40 anos, conta que produz a metade da quantidade de pães de 2014. A escassez de trigo é seu maior problema, mas às vezes faltam outros ingredientes também. "Todos os dias parece que falta mais alguma coisa", disse ele. "Estamos cortando constantemente. Está tudo vindo abaixo: quantidade e qualidade."

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