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BCE deve manter pacote de estímulo mesmo com avanço da inflação

Alessandro Speciale e Andre Tartar

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu (BCE) deve esperar até o fim deste ano antes de considerar uma redução de seu plano de compra de bônus, e a expectativa é de que o programa seja mantido pelo menos até 2018, dizem economistas.

Mesmo com a inflação na zona do euro se acelerando, três quartos dos entrevistados em uma pesquisa da Bloomberg disseram que uma grande mudança no programa de estímulo do BCE não deve acontecer antes de setembro. Com as pressões subjacentes dos preços sob controle, dois terços dos analistas disseram que a decisão será a redução das compras mensais, mas com uma extensão do plano para depois de dezembro. Nenhum dos entrevistados espera novas medidas durante a reunião do Conselho do BCE em Frankfurt, na quinta-feira.

O presidente do BCE, Mario Draghi, deve ser cada vez mais pressionado por economias mais fortes, como a Alemanha, se continuar a injetar estímulos na atividade econômica em meio ao aumento dos preços e poupadores em desvantagem com taxas de depósito próximas de zero. A preocupação de Draghi é mais com o núcleo da inflação e com o potencial de choques vindos de eleições nacionais no bloco da moeda única, das negociações com o Reino Unido para a saída do país da União Europeia e do início do mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

"A inflação em alta na Alemanha pode atrair opositores ao 'quantitative easing' [QE, ou programa de estímulos]', disse Tomas Holinka, economista da Moody's Analytics Inc. "No entanto, achamos que qualquer discussão sobre reduzir as compras de ativos é prematura e nossa expectativa é que o BCE vai esperar até que a alta dos preços seja sustentável e a incerteza política diminua."

Embora a maioria dos economistas tenha dito que o próximo passo do BCE será a diminuição do QE e depois uma extensão do programa, cerca de um quinto deles avaliam que as compras serão reduzidas, mas não prolongadas. Apenas 4 por cento dos economistas esperam que o BCE continue com o plano sob as atuais condições depois de 2017.

Ainda que os entrevistados acreditem que a mudança tenha começado efetivamente com a decisão do mês passado, mais de 60 por cento deles disseram que a medida não será aplicada até pelo menos a reunião do Conselho agendada para 14 de dezembro. A estimativa mediana aponta que o processo levará 9 meses.

Pode parecer tempo demais para países cuja inflação já está avançando para os maiores níveis em vários anos. Os preços ao consumidor na Alemanha subiram 1,7 por cento em dezembro em relação à alta anterior de 0,7 por cento, um nível recorde e o ritmo mais forte desde 2013. Jornais e comentaristas têm defendido uma saída mais rápida do programa de estímulo, e o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, exigiu uma "normalização" gradual da política. A Alemanha realizará eleições parlamentares em setembro.

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