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Essas montadoras podem ser próximos alvos de Trump

Kyle Stock

(Bloomberg) -- A tentativa de Donald Trump de restringir o livre comércio na indústria automotiva dos EUA pelo Twitter começou com um alerta para as três grandes fabricantes de Detroit sobre a construção de fábricas ao sul da fronteira. Depois, ele disparou ameaças às empresas alemãs -- especificamente à BMW, que tem uma fábrica em estágio avançado de construção em San Luis Potosí, no México, que deverá produzir 150.000 carros por ano.

Mas depois da posse do presidente eleito republicano -- com o possível cumprimento da promessa de aplicar uma tarifa de 35 por cento às importações de veículos --, restam alguns alvos automotivos consideráveis para sua ira on-line.

Carregue os canhões de palavras de 140 caracteres -- estes podem ser os próximos alvos de Trump.

A culpa é do Canadá

O coração da indústria automotiva dos EUA pode estar em Detroit, mas boa parte de seus músculos está do outro lado do rio, em Windsor, Ontário, Canadá. É lá que quase 6.000 trabalhadores da Fiat Chrysler montam a minivan Chrysler Pacifica e a Dodge Grand Caravan. Em uma planta a cerca de 320 quilômetros dali, para o leste, a Ford fabrica veículos há 64 anos. De 2012 para cá a empresa contratou 2.000 pessoas no Canadá.

As plantas de montagem de Ontário contam com cerca de 27.000 operários automotivos, incluindo 5.600 pessoas que montam SUVs da Chevrolet e sedãs da Cadillac em duas plantas da General Motors. Existem também cerca de 7.000 trabalhadores em duas instalações da Toyota Motor, que montam crossovers Lexus RX, sedãs Corolla e o SUV Rav4.

Partes e peças

O carro em si, porém, é apenas um produto em uma grande cadeia de abastecimento. O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), mais do que nada liberou o movimento de partes. Os sistemas de freios antibloqueio (ABS) de Toluca, México, e as transmissões de Guelph, Ontário, podem se encontrar em San Antonio para serem montados em um Toyota Tacoma ou em um Accord produzido na enorme planta da Honda em Marysville, Ohio, nos EUA.

Cada parte de um veículo norte-americano -- seja no Canadá, no México ou nos EUA -- pode ter atravessado as fronteiras até oito vezes, segundo análise recente do Center for Automotive Research. É claro que nomes de fornecedores como Robert Bosch e Linamar não têm tanto peso em uma crítica no Twitter quanto Ford ou GM, mas se Trump for passar longas noites lendo as planilhas da Comissão Federal de Comércio dos EUA, ele não vai gostar do que vai ver (os representantes de Trump não deram retorno aos pedidos de comentário). A balança comercial dos EUA com o México em termos de autopeças é cerca de um terço maior que a dos veículos em si.

Giro para a Ásia

Por último, Trump poderia seguir o exemplo de Ronald Reagan e ir atrás da Ásia. Em uma lista dos carros mais populares dos EUA que não são fabricados no país, oito dos 10 principais vêm de empresas com sede no Japão. O Forester, da Subaru, lidera a lista, seguido pelo Rogue, da Nissan.

Considerando apenas veículos, a balança comercial dos EUA com o Japão é quase duas vezes maior que sua diferença em relação à do México. A Coreia do Sul, sede da Hyundai e da Kia, também envia uma quantidade estável e considerável de carros aos EUA, em mão única.

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