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BNP espera alta de juros nos EUA em todos os trimestres de 2018

Ranjeetha Pakiam

(Bloomberg) -- O banco central dos EUA será rápido nas altas de juros, subindo a taxa básica no segundo semestre e depois em todos os trimestres de 2018, de acordo com o BNP Paribas. A instituição espera que o aperto monetário fortaleça o dólar e derrube a cotação da onça de ouro para perto de US$1.000.

A expectativa é que o Federal Reserve aumente os juros neste ano devido às medidas fiscais expansionistas propostas por Donald Trump. Segundo relatório publicado pelo banco em 25 de janeiro, a agenda do novo presidente pode ajudar a elevar os salários ? e os custos trabalhistas ? em 2018. O BNP foi a instituição que mais acertou as previsões para ouro e metais preciosos no quarto trimestre, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

"O ouro ainda pode encontrar sustentação na inflação maior na primeira metade de 2017. Mas o Fed buscará elevações dos juros na segunda metade do ano, mantendo o dólar forte", escreveram os estrategistas de commodities Harry Tchilinguirian e Gareth Lewis-Davies. "Em 2018, o BNP Paribas espera que o Fed faça acréscimos em todo trimestre."

Em dezembro, o Fed subiu os juros pela primeira vez em um ano. Investidores tentam descobrir o momento provável das próximas altas, em vista dos sinais de recuperação da maior economia do mundo e do cumprimento de promessas de Trump no sentido de acelerar o crescimento econômico, gerar empregos e aumentar gastos com infraestrutura.

A cotação do ouro recuou após a surpreendente vitória de Trump em novembro e se recupera neste mês. Há espaço para o ouro "manter os ganhos de janeiro e possivelmente avançar mais", afirmou o BNP. "Mas perto do final de 2017, as expectativas em relação às elevações de juros pelo Fed vão passar a comandar os preços do ouro. Assim, é provável que a direção de menor resistência para o ouro seja para baixo novamente."

Perspectiva para o metal

A onça de ouro para entrega imediata era negociada por US$ 1.196,68 nesta quinta-feira, acumulando ganho de 4,3 por cento neste ano, de acordo com preços genéricos da Bloomberg. Em 2016, o metal se valorizou 8,1 por cento e rompeu uma sequência de três anos de perdas, mesmo após o recuo no quarto trimestre. Segundo o BNP, neste ano, a cotação média deve ficar em US$ 1.210 (US$ 80 acima da projeção anterior) e em US$ 1.100 em 2018.

A presidente do Fed, Janet Yellen, vem defendendo uma estratégia de aumento gradual dos juros. Na véspera da posse de Trump, na semana passada, ela argumentou que a instituição não estava atrás da curva no esforço de conter pressões inflacionárias, mas mesmo assim não poderia se dar ao luxo de permitir superaquecimento da economia. Yellen declarou que os salários haviam subido "apenas modestamente" e que a indústria trabalha bem abaixo da capacidade.

"Por ora, Yellen indica que o Fed não está 'atrás da curva' e que a utilização de recursos/capacidade ainda não está pressionada", afirmaram os analistas do BNP. "Isso sugere que as altas de juros devem vir mais tarde, não no começo deste ano. Neste interim, a inflação em 12 meses vai se acelerar."

O período de projeções para os juros apresentado pelo banco, até o fim do ano que vem, ultrapassa o mandato atual de Yellen, que termina em fevereiro de 2018. Na próxima semana, o Comitê de Mercado Aberto (FOMC), que define os juros, se reunirá pela primeira vez neste ano. São oito reuniões programadas em 2017.

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