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México tem um ás na manga para negociar Nafta com os EUA

Eric Martin e Nacha Cattan

(Bloomberg) -- Luis Videgaray está em uma posição aparentemente impossível de invejar.

O chanceler mexicano chegou na noite de terça-feira a Washington com a missão de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) com um governo Trump que apostou grande parte de sua reputação na promessa de reformar o acordo comercial e transferir empregos do México de volta aos EUA. Considerando o quanto o México se beneficiou com o pacto assinado em 1994 -- o superávit comercial anual do país com os EUA supera US$ 60 bilhões -- a sensação geral é que Videgaray não tem muito peso nas negociações, que acima de tudo ele cederá terreno a seus colegas americanos.

Mas Videgaray pode ser um negociador formidável. No México, o economista de 48 anos formado no MIT é visto há tempos como o mestre da estratégia por trás da chegada do presidente Enrique Peña Nieto ao poder. Ele também estabeleceu um relacionamento forte com Trump, quem o descreveu como um "homem maravilhoso", e com o genro e assessor sênior de Trump, Jared Kushner. Além disso, ele poderia ter na manga uma carta que vem sendo ignorada: a segurança.

Se o México, digamos, deixar de cooperar com os EUA no combate ao tráfico de drogas ou no contraterrorismo, isso poderia paralisar uma administração que fez da segurança fronteiriça outra de suas maiores prioridades, tendo até escolhido apresentar seu plano de construir um novo muro justo quando o contingente mexicano estava começando a trabalhar em Washington. Videgaray insinuou sua estratégia na segunda-feira, quando disse à emissora de TV Televisa que "esta não pode ser uma negociação em que só se discute o comércio".

"Há muitas áreas em que os EUA precisam da cooperação do México, como a segurança e a imigração", disse ele.

Reuniões

Videgaray se reuniu com o assessor de Segurança Nacional dos EUA, Michael Flynn, no primeiro dia de sua viagem de dois dias e tem agendada uma reunião com Kushner nesta quinta-feira, segundo um assessor da Casa Branca que pediu anonimato. O Ministério das Relações Exteriores do México afirmou que também espera que o assessor comercial dos EUA, Peter Navarro, e o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, estejam envolvidos nas negociações. Videgaray é acompanhado pelo ministro da Economia, Ildefonso Guajardo. As reuniões acontecerão antes de um encontro entre Trump e Peña Nieto na semana que vem em Washington.

Fora os comentários sobre segurança feitos por Videgaray na segunda-feira, as autoridades mexicanas não falaram nada sobre seus planos de negociação, e assim continuaram após o primeiro dia de reuniões em Washington. Anteriormente, insinuaram que estão preparadas para ampliar o acordo a fim de incluir setores como o comércio on-line e a energia.

Trump poderia exigir mudanças que aumentem a proporção de veículos fabricados nos EUA, seja com tarifas ou com normas que exijam que uma maior parte das peças provenha da América do Norte. Peña Nieto e Videgaray foram inflexíveis em que a América do Norte deve continuar isenta de impostos, e os planos de Trump poderiam colocar em risco um setor automotivo que deslanchou nos últimos anos no México.

"Ele é uma pessoa que não desiste", disse Duncan Wood, diretor do Mexico Institute no Woodrow Wilson International Center for Scholars em Washington. "Ele tem um intelecto extraordinário que não deveria ser desconsiderado."

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