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Provável fim do boom da carne bovina nos EUA afeta Tyson Foods

Shruti Date Singh

(Bloomberg) -- É provável que o boom da carne bovina dos EUA tenha chegado ao fim.

Graças à redução da oferta de animais e à demanda moderada, empresas como a Tyson Foods, a maior processadora de carnes dos EUA, e a Cargill enfrentam quedas nos lucros sobre cada cabeça de gado que abatem.

Trata-se de uma nítida reversão da situação do ano passado, quando a expansão mais rápida do rebanho de bois americano em quatro décadas ampliou as margens dos frigoríficos. Mas o crescimento dos rebanhos não durou. Como resultado, os futuros do gado em Chicago subiram 23 por cento desde o piso de meados de outubro, enquanto o preço obtido pelos frigoríficos com a venda de carne bovina no atacado caiu nos últimos 12 meses em meio à concorrência acirrada com as carnes de frango e de porco.

"Essa situação exerce forte pressão por margens menores dos frigoríficos", disse Bob Wilson, sócio-fundador da empresa de pesquisas do setor HedgersEdge.com em Greenwood Village, Colorado.

Os prejuízos dos frigoríficos dos EUA subiram para US$ 67,15 por cabeça em 25 de janeiro, segundo dados do HedgersEdge.com. O lucro por cabeça atingiu um pico histórico de US$ 147,20 em 18 de outubro e uma média de US$ 43,79 em 2016, nível mais alto para qualquer ano registrado desde 1990.

Impacto na Tyson

A inversão nas margens pode representar um golpe para a Tyson, que tem sede em Springdale, Arkansas. No ano fiscal de 2016, o segmento de carne bovina da empresa se recuperou, atingindo um lucro operacional de US$ 347 milhões após um prejuízo de US$ 66 milhões um ano antes, e o ex-CEO Donnie Smith chamou o movimento de "uma grande história de recuperação", segundo comunicado de 21 de novembro. As ações da companhia deram um salto de 22 por cento em 12 meses, fechando em US$ 62,63 na quarta-feira.

Mas aparentemente não há certeza de que a recuperação da carne bovina será duradoura.

Os analistas reduziram a meta de preço de consenso para daqui a um ano das ações da Tyson em 1,1 por cento no mês passado, mostram dados compilados pela Bloomberg. Heather Jones, analista da Vertical Group em Richmond, Virgínia, reduziu a classificação das ações de compra para manutenção em relatório de quarta-feira, citando o "início difícil" de ano da carne bovina.

Jones ainda assim elevou sua estimativa de lucro para o primeiro trimestre fiscal da Tyson, que vai de outubro a dezembro. Ela subiu também sua perspectiva para os lucros por ação de US$ 1,20 para US$ 1,36, em parte devido ao desempenho "forte" da carne bovina, embora esteja "um pouco mais cautelosa" em relação à perspectiva para as margens do segmento dos três trimestres subsequentes. A Tyson deverá divulgar seus resultados fiscais do primeiro trimestre em 6 de fevereiro.

A Tyson e a Cargill preferiram não comentar sobre suas margens para a carne bovina.

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