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História da renda fixa vai contra apostas em reflação nos EUA

Liz Capo McCormick

(Bloomberg) -- Se a história se repete, os investidores devem temer apostas baseadas na expectativa que medidas do governo Trump acelerem a economia dos EUA e elevem os rendimentos dos títulos do Tesouro americano até o fim do ano.

Sinais de retomada da inflação intensificaram a expectativa de acréscimos na taxa básica de juros pelo banco central (Federal Reserve) e empurraram os rendimentos de alguns prazos para os maiores níveis do ano. Contudo, quem tem bastante experiência neste mercado que movimenta US$ 13,9 trilhões ainda duvida da resistência das apostas em reflação. O motivo é simplesmente um padrão sazonal que se mantém há décadas: o começo do ano costuma ser doloroso para os títulos, mas geralmente os rendimentos caem nos meses subsequentes.

A análise é a seguinte: o rendimento dos títulos do Tesouro com vencimento em 10 anos subiu nos primeiros quatro meses do ano em duas das últimas três décadas e então caiu até meados de setembro em todas as três décadas ? em 38 pontos-base, na média, segundo cálculos da BMO
Capital Markets. A década atual é a exceção, uma vez que os rendimentos também recuaram no começo do ano, coincidindo com estímulo sem precedentes na forma de compra de títulos pelos bancos centrais das maiores economias do mundo.

Até certo ponto, a tendência faz sentido porque se encaixa no clichê do mercado acionário que recomenda "vender em maio e ir embora", que presume queda das bolsas depois de maio. Além disso, o governo vende mais ou menos metade da dívida pública nova nos primeiros quatro meses do ano.

"Os padrões sazonais historicamente causam influência significativa no mercado de títulos do Tesouro americano", disse Ian Lyngen, estrategista-chefe de juros em Nova York da BMO, que é uma das 23 instituições que negociam diretamente com o Fed. "Eu me asseguraria que os padrões sazonais sejam respeitados na hora de avaliar a chance de haver desvalorização significativa devido à política econômica de Trump."

Sincronia

O padrão sazonal pode se repetir em 2017. O rendimento do título de 10 anos, em 2,45 por cento, variou pouco desde a virada do ano e não está longe da máxima em dois anos e meio alcançada em dezembro. Um sinal de que os investidores estão apostando em reflação desde a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA é que uma métrica de expectativas inflacionárias está próxima do maior nível desde 2014.

Mas existem potenciais armadilhas pelo caminho que podem sustentar o padrão sazonal e azedar previsões de alta nos rendimentos. Por exemplo, nada garante que Trump tentará fazer com que o Congresso aprove logo os cortes de impostos ou os gastos em infraestrutura que ele prometeu.

E mesmo que o presidente cumpra a promessa de apresentar um plano tributário "fenomenal", a geopolítica pode barrar os investidores pessimistas com o mercado de renda fixa. O risco político relativo a eleições na Europa nos próximos meses pode estimular a demanda por títulos do Tesouro americano como porto seguro, dado que candidatos populistas ? como a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, da França ? defendem medidas capazes de ameaçar a estabilidade da zona do euro.

Com tanta novidade nos assuntos internacionais, as décadas de desempenho observado que fundamentam a aposta em sazonalidade têm alcance limitado. O consenso em Wall Street é que a sazonalidade fracassará neste ano. A projeção mediana em uma pesquisa da Bloomberg é de alta do rendimento do título de referência para 2,57 por cento no meio do ano e 2,7 por cento no terceiro trimestre.

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