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O Wagyu é a carne mais superestimada do mundo?

Richard Vines

(Bloomberg) -- O Wagyu do Japão é muitas vezes apontado como a melhor carne do mundo.

A carne é tenra como a noite. É tão macia que não precisa de faca. Sua gordura marmorizada se dissolve em um sabor amanteigado.

O gado leva uma vida relativamente mimada. Os animais são registrados pelo governo japonês assim que nascem e são criados de acordo com regras rigorosas, mas pensar que todos são criados à base de cerveja e Beethoven é um pouco exagerado.

Você paga pelo privilégio, é claro. No restaurante CUT, de Wolfgang Puck, em Beverly Hills, EUA, com US$ 140 você pode obter 113,4 gramas de carne maturada durante 35 dias e considerada de primeira qualidade pelo Departamento de Agricultura dos EUA ou apenas 56,7 gramas de wagyu da região de Miyazaki, no Japão.

Deve ser uma carne maravilhosa, não é mesmo?

"Eu detesto", diz Richard Turner, açougueiro e autor do livro de receitas dedicado à carne bovina "Prime: The Beef Cookbook" (editora Mitchell Beazley, 2017), que será publicado no Reino Unido nesta semana e nos EUA em maio. "Ela invade você brutalmente e depois se desvanece rapidamente. Algumas pessoas gostam disso, mas eu sou inglês, eu quero que o sabor do meu bife dure."

Depois que a União Europeia suspendeu uma proibição imposta à carne bovina japonesa em 2014, restaurantes de Londres começaram a experimentar com wagyu, chamado de gado japonês. O Reino Unido rapidamente se tornou o maior importador da Europa, com quase 47.000 quilos em 2016, de acordo com o grupo Zen-Noh, o braço empresarial da maior cooperativa agrícola do Japão.

A carne está aparecendo em estabelecimentos japoneses de alto nível e também em restaurantes não tão caros, onde pode estar presente no sushi ou em pratos fusion. No Anzu, um restaurante que fica no St James's Market, em Londres, o tataki de wagyu com molho de sésamo e soja é um prato popular, a 18 libras (US$ 22). Mas até o chef e coproprietário do Anzu, Ken Yamada, diz que essa carne deve ser comida em pedaços pequenos.

"Acho que ninguém poderia comer uma fatia grossa e se sentir bem", disse Yamada, que nasceu em Shimoda, ao sul de Tóquio, e se mudou para o Reino Unido em 1988. "Talvez eu esteja na Inglaterra há muito tempo, mas prefiro uma boa carne maturada britânica."

Mark Schatzker, autor do livro "Steak: One Man's Search for the World's Tastiest Piece of Beef" (Penguin, 2011), concluiu que o wagyu japonês não era a resposta de sua busca pelo bife mais delicioso do mundo.

"É algo excelente e maravilhoso", diz ele, "mas não é um bife. É completamente diferente. É mais parecido com o foie gras. Um bife é sangrento: você sabe que está comendo um animal. Ele satisfaz o homem das cavernas que há em você. O Wagyu é mais refinado -- e isso não quer dizer que seja superior."

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