Bolsa da Coreia deve subir após impeachment assim como no Brasil

Eric Lam

(Bloomberg) -- Os sul-coreanos que estão indo às ruas para comemorar a decisão judicial desta sexta-feira que confirma o impeachment da presidente Park Geun-hye terão outro motivo para comemorar, se a história servir de parâmetro.

Os índices de referência das ações do Brasil e dos EUA subiram após as quedas de presidentes, segundo dados compilados pela Bloomberg. As ações coreanas já vêm subindo desde o início do processo de impeachment.

"Assim como a situação do Brasil ou a dos EUA em 1974, isso deverá ajudar as ações coreanas a subirem em relação ao patamar atual", disse Shane Oliver, chefe de estratégias de investimento da AMP Capital Investors em Sidney. "Essa questão oferece de certa forma uma conclusão para a situação política em torno da presidente Park e possibilita que a Coreia siga em frente de forma mais segura. A única coisa que me tira um pouco da certeza são os futuros desdobramentos da situação com a Coreia do Norte."

A remoção de Park ocorre após o impeachment pelo Congresso, em dezembro, em meio a meses de protestos massivos por suposta corrupção política e pagamento de propinas. A investigação envolveu muitos dos maiores conglomerados do país e incluiu a prisão do covice-presidente do conselho da Samsung e sucessor natural, Jay Y. Lee. Os investigadores indiciaram cerca de 40 pessoas até o momento. O Kospi Index subiu 6,9 por cento em relação à mínima registrada em 9 de novembro no auge do escândalo.

"A aprovação da Justiça traz um enorme alívio para os mercados, porque evita um cenário possivelmente desastroso em que a presidente Park retornaria ao poder em meio a um intenso descontentamento público", escreveu Kai Wei Ang, analista do Commerzbank, em relatório, na sexta-feira. "A formação de um novo governo abre caminho para a implementação de medidas fiscais mais enérgicas."

No Brasil, em fevereiro deste ano o Ibovespa subiu 19 por cento e atingiu o nível mais alto desde 2011, poucos meses após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que ocorreu em setembro de 2016 após nove meses de processo. O Senado do Brasil considerou Dilma culpada de ignorar o Congresso para financiar gastos do governo.

Nos EUA, os investidores entraram em uma verdadeira montanha-russa com o desdobramento do infame escândalo Watergate do presidente Richard Nixon. Em outubro de 1974, dois meses após Nixon se tornar o primeiro presidente dos EUA a renunciar, o índice de referência das ações caiu 48 por cento em relação à alta recorde registrada em janeiro de 1973, pouco após sua reeleição, e atingiu o menor patamar em 12 anos. O índice subiu 35 por cento até o mês de março seguinte.

Nixon renunciou quando o Congresso avançou rumo ao impeachment devido às conexões do presidente com a invasão à sede do Comitê Nacional do Partido Democrata, no complexo Watergate. Posteriormente, ele foi anistiado por seu sucessor, Gerald Ford.

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