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Escandinávia expõe mito de salário alto a banqueiros

Frances Schwartzkopff e Peter Levring

(Bloomberg) -- Alguns dos bancos de melhor desempenho no mundo são comandados por executivos que ganham apenas uma fração do que outros com muito mais fama levam para casa.

Relatórios anuais mostram que, no ano passado, os presidentes dos seis maiores bancos escandinavos ganharam praticamente metade do que receberam seus pares em outras regiões, mesmo tendo liderado os rankings europeus de retorno e adequação de capital, de acordo com cálculos da Bloomberg.

Casper von Koskull, presidente do Nordea Bank, o único banco escandinavo sistemicamente importante em nível global, recebeu 2.457.528 de euros (US$ 2.612.844) em salário, compensação variável, benefícios e fundos de aposentadoria em 2016, quando seus investidores embolsaram retorno total de 16 por cento.

Thomas Borgen, presidente do Danske Bank (cujo valor de mercado hoje é superior ao do Deutsche Bank), recebeu no ano passado aproximadamente US$ 2,6 milhões, incluindo benefícios de previdência. É menos da metade do valor pago ao presidente do Lloyds Banking Group e 40 por cento a menos do que foi pago ao presidente do Standard Chartered.

De acordo com o governo sueco, pode haver revolta popular se os executivos ganharem muito. Os bancos devem estar cientes de que "programas de bônus excessivos ? e especialmente programas que tornem lucrativo assumir riscos irresponsáveis ? são percebidos como negativos pelo público", afirmou o ministro de Mercados Financeiros, Per Bolund.

A experiência escandinava pode convencer integrantes de conselhos de administração de bancos europeus a reduzir os bônus pagos ao alto escalão.

De modo geral, os profissionais que mais ganham nos bancos escandinavos levam para casa cerca de um terço a menos do que a média na Europa. Seus pacotes totais ocupam o terço inferior dos rankings de remuneração, segundo dados compilados pela Autoridade Bancária Europeia. Os banqueiros mais bem pagos da Escandinávia recebem consideravelmente menos do que suas contrapartes na Grécia, no Chipre, na Espanha e no Reino Unido, de acordo com um relatório publicado em fevereiro que analisou padrões de compensação em 22 nações europeias em 2015.

As taxas de retorno sugerem que os banqueiros não precisam ganhar salários nababescos para entregar desempenho acima da média. De fato, algumas pesquisas mostram que compensação maior pode incentivar comportamentos de risco que acabam prejudicando os bancos e as economias.

A Autoridade Bancária Europeia vê evidências de que pacotes de remuneração podem afetar a disposição de profissionais a violar regras. Práticas de compensação ruins incentivaram alguns a vender produtos e serviços de varejo com "preço excessivo" e impróprios para clientes para os quais eram vendidos, afirmou a agência no ano passado.

Vale ressaltar que o presidente do Danske ganha menos do que alguns operadores de grandes bancos britânicos que acabaram sendo presos por manipular a taxa Libor. Jay Merchant, ex-funcionário do Barclays que foi condenado em julho, ganhou 2,2 milhões de libras esterlinas (US$ 2,7 milhões) em 2007, ou cerca de US$ 100.000 a mais do que Borgen recebeu no ano passado.

Jesper Rangvid, professor da Faculdade de Administração de Copenhagen, afirma que o "tecido social" exerce grande influência. O Danske é o maior banco da Dinamarca, onde a mentalidade prevalente na determinação de salários exige uma "sociedade mais igualitária com menos desigualdade de renda e menos desigualdade social".

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