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China plantará menos milho para combater excedente de estoques

Shuping Niu

(Bloomberg) -- O agricultor Zhang Qingjun disse que a cooperativa dele, no cinturão do milho do nordeste da China, reduzirá pelo menos 40 por cento da plantação deste cultivo quando a semeadura começar, no mês que vem, porque os enormes estoques governamentais do grão diminuíram os lucros.33

"Não podemos aceitar preços tão baixos para o milho - mal se ganha o suficiente para alimentar a família toda", disse Zhang, em entrevista por telefone da aldeia de Sidaogou, na província de Jilin, que tem fronteira com a Coreia do Norte. Ele disse que sua cooperativa de 200 hectares plantará mais soja e amendoim neste ano. "Muitos jovens abandonaram a aldeia para trabalhar nas cidades."

Agricultores ganharam cerca de 300 yuans por mu (US$ 650 por hectare) com o milho no ano passado, em comparação com um pico de cerca de 1.000 yuans por mu em 2013, disse Zhang. Para alguns arrendatários, isso só deu para pagar o aluguel do terreno.

Embora a produção agrícola da China tenha disparado junto com o crescimento econômico robusto do país, os estoques estatais estão dominando a demanda e levando o governo a reavaliar programas de compra dispendiosos que visam a fortalecer a segurança alimentar. Com o fim de um sistema de apoio aos preços no ano passado e uma queda de 20 por cento nos contratos futuros, a safra de milho provavelmente cairá pelo segundo ano consecutivo em 2017. Além disso, o governo tenta encontrar outros usos para as reservas do grão que estão se deteriorando, como etanol para o combustível de veículos.

Medidas

A China diminuirá a superfície de cultivo do milho em 10 milhões de mu (647.500 hectares) neste ano, após uma redução de 30 milhões efetuada no ano passado, disse em dezembro o ministro de Agricultura Han Changfu, conforme citado pela rádio estatal. O país aumentará os subsídios aos agricultores que passarem para soja, milho para silagem e alfafa, disse ele. O país é o maior produtor e consumidor de milho do mundo depois dos EUA.

Uma solução para diminuir os estoques é transformar o milho em etanol, que pode ser acrescentado à gasolina para reduzir emissões e importações de petróleo. A China está avaliando elevar sua meta de etanol para combustível para 2020 acima das 4 milhões de toneladas anuais anunciadas anteriormente, disse Zhang Xiaoyang, presidente da empresa estatal Henan Tianguan Group, a segunda maior produtora de etanol para combustível do país. O país já é o terceiro maior fornecedor do mundo, depois dos EUA e do Brasil, e produz 2,5 milhões de toneladas por ano.

Pequim, Tianjin e Hebei, onde a poluição do ar é grave, provavelmente se juntarão a outras seis províncias que já exigem o acréscimo de etanol à gasolina, disse Zhang.

A troca pela soja ajudará o governo a satisfazer a crescente demanda da China pela oleaginosa. O país é o maior importador do mundo e compra mais de 60 por cento dos grãos comercializados internacionalmente. O governo deseja expandir as safras locais de soja, que é utilizada principalmente na fabricação de alimentos como tofu ou leite de soja. Normalmente, as importações são utilizadas em rações para animais.

Agricultores receberam 150 yuans por mu em 2016 como compensação pela queda no preço do milho local e Han, o ministro da Agricultura, disse na semana passada em um comunicado transmitido pela televisão estatal que mais subsídios seriam oferecidos neste ano, inclusive um para os agricultores que adotarem outros cultivos.

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