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Francês que temia o Brexit agora assessora May na separação

John Detrixhe e Alex Morales

(Bloomberg) -- Xavier Rolet é hoje um personagem curioso do Brexit. O francês havia se aliado ao então primeiro-ministro David Cameron para manter o Reino Unido na União Europeia.

Agora, o presidente da London Stock Exchange Group, de 57 anos, é conselheiro da sucessora de Cameron, Theresa May, e tenta fazer da derrota de seu time uma vitória. Ele acompanhou a primeira-ministra na semana passada na maior missão política de sua carreira, se encontrando com o rei da Arábia Saudita. A tarefa dele no Palácio Al-Yamamah era trazer a petrolífera Aramco para a bolsa de valores que comanda.

Se der certo, um pedaço da maior abertura de capital da história diria ao mundo que Londres ainda é o principal centro financeiro da Europa e calaria críticos em Bruxelas que afirmam que o
Brexit tem custo. Se der errado, seria uma derrota para May e para o executivo que o governo britânico tem colocado a seu serviço.

Rolet há anos frequenta a residência oficial dos primeiros-ministros britânicos, em 10 Downing Street. Ele participava do grupo de assessores econômicos de Cameron e viajou para a China na comitiva do então ministro das Finanças George Osborne em uma missão comercial em 2015. Porém, o referendo de junho deu a este ex-piloto da Força Aérea Francesa o papel crítico de proteger o distrito financeiro de Londres, conhecido como City.

Rolet está na linha de frente do Brexit por causa de uma desconhecida câmara de compensação comprada em 2012 que é considerada uma das peças mais vulneráveis da City e referência para as negociações. Ele já perdeu uma batalha, dado que o Brexit ajudou a atrapalhar a união da LSE com a Deutsche Boerse no mês passado.

Confidente de May

A influência de Rolet no debate em torno do Brexit é palpável. Ele foi a primeira pessoa que May apresentou ao rei Salman. O ponto de vista dele se reflete na defesa apresentada pelo atual ministro das Finanças, Philip Hammond, sobre a função de Londres na compensação de transações em euros. Ele argumentou que 232.000 empregos estão ameaçados no Reino Unido, número que circula no governo, mas é considerado irrealista por alguns no setor.

À primeira vista, Rolet pode parecer símbolo da elite global criticada por May, à qual ela se refere como "cidadãos de lugar nenhum". Ele cursou MBA na Universidade Columbia e foi contratado por Robert Rubin, ex-presidente do Goldman Sachs, para trabalhar em Nova York. Apesar de sua fortuna e vinícola na Provença, a origem do executivo é modesta. Ele nasceu em um quartel na Argélia quando o país fazia parte do Império Francês. A família dele se mudou para uma cidade operária, Sarcelles, ao norte de Paris, no final da guerra pela independência da Argélia, em 1962.

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