Rússia considera bitcoin no combate à lavagem de dinheiro

Evgenia Pismennaya, Jake Rudnitsky e Stepan Kravchenko

(Bloomberg) -- Há apenas um ano, o Ministério das Finanças da Rússia ameaçava condenar à prisão quem usasse moedas digitais.

Em uma reviravolta, o governo agora está mais perto de aceitá-las como instrumento financeiro legítimo, abrindo uma nova linha de ataque à lavagem de dinheiro.

As autoridades esperam reconhecer bitcoin e outras criptomoedas em 2018, dentro do esforço para aplicar leis contra transferências ilegais, revelou o vice-ministro das Finanças, Alexey Moiseev. O banco central está elaborando uma posição conjunta com o governo sobre as moedas digitais, segundo sua assessoria de imprensa.

"O Estado precisa saber quem, a todo momento, está dos dois lados da cadeia financeira", disse Moiseev. "Se há uma transação, os facilitadores precisam compreender de quem compraram e a quem estão vendendo, como ocorre nas transações bancárias."

Nenhum governo regulamenta bitcoin, mas a moeda digital é investigada por vários países como veículo para esconder ativos das autoridades ou lavar dinheiro obtido ilegalmente.

Na China, que ocupa papel central nas negociações de bitcoins há anos, as três maiores bolsas impuseram moratória aos saques em março, após o banco central publicar novas regras de uso.

O acompanhamento de criptomoedas é a última ferramenta utilizada pelo Banco da Rússia contra a lavagem de dinheiro, que já provocou a revogação de licenças de centenas de instituições de crédito. O plano de legalizar e monitorar bitcoins está sendo elaborado enquanto esquemas tradicionais perdem espaço. Operações duvidosas, como transações e empréstimos falsos realizados para tirar dinheiro do país, caíram pela metade no ano passado para US$ 771 milhões, segundo o banco central.

A vice-presidente do banco central russo, Olga Skorobogatova, afirmou em fevereiro que as autoridades decidirão em meados de 2017 se as moedas digitais serão classificadas como ativo, dinheiro ou instrumento financeiro.

Inicialmente, o mais provável na Rússia é que criptomoedas sejam compradas via conta bancária para realização de aquisições online e também para investimento especulativo, afirmou o diretor do Alfa-Bank, Oleg Legostev, por e-mail enviado pela assessoria de imprensa da instituição.

Bancos estrangeiros foram envolvidos em investigações de esquemas na Rússia. O Reino Unido solicitou informações ao Royal Bank of Scotland Group em março, em relação a um esquema de lavagem de dinheiro que movimentava dinheiro pela Moldávia e Letônia entre 2010 e 2014. Em janeiro, autoridades britânicas e americanas multaram o Deutsche Bank em US$ 629 milhões por não cumprir regras de conformidade e ajudar russos ricos a tirar aproximadamente US$ 10 bilhões do país em transações que podem ter acobertado crimes financeiros.

Crime, corrupção e sonegação de impostos motivaram saídas ilícitas da Rússia de pelo menos US$ 211,5 bilhões entre 1994 e 2011 e as transferências ilegais teriam chegado a US$ 552,9 bilhões, segundo cálculos do grupo Global Financial Integrity, sediado em Washington.

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