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Análise: Amazon enfrenta Apple e Google como porta para internet

Shira Ovide

(Bloomberg) -- Um tema recorrente nesta coluna é a ambição da Amazon.com de fazer de tudo o que se possa imaginar. Agora, aparentemente, a empresa pretende se tornar uma loja de aplicativos móveis parecida com as oferecidas por Apple e Google.

Na segunda-feira, a Amazon lançou um espaço único para assinaturas digitais de serviços oferecidos por empresas como o jornal Los Angeles Times e o aplicativo de compartilhamento de arquivos Dropbox. Para centenas de milhões de clientes cujas contas na Amazon são vinculadas a seus cartões de crédito, fica mais fácil realizar a compra na Amazon do que registrar suas informações pessoais separadamente para ter acesso ao Dropbox, à revista New Yorker ou à SlingTV, que transmite programação ao vivo de canais do mundo todo.

A Amazon já vendia assinaturas como essas, mas é a primeira vez que reúne tudo em um só lugar que os consumidores podem explorar e onde podem efetuar compras. Parece muito com o que faz a App Store para os dispositivos da Apple e a Play Store, do Google, para aparelhos com sistema Android.

Por enquanto, a nova loja de assinaturas digitais da Amazon não faz barulho. A empresa anuncia novos produtos e serviços diuturnamente ? e muitos não dão em nada. Mas o potencial é intrigante.

As lojas de aplicativos da Apple e do Google funcionam como portas imensas para venda de música, jornais, revistas, software, pacotes de vídeo e entrega de comida. Para uma empresa que oferece serviço digital (especialmente se for parecida com o streaming de música Spotify ou jornais que costumam ser lidos em smartphones), Apple e Google são donos da bola, influenciando o negócio e seu sucesso ou fracasso.

A Amazon está oferecendo uma alternativa para as empresas distribuírem assinaturas digitais sem depender das lojas controladas por Apple e Google.

A novidade faz parte de uma tendência dentro da Amazon que pouca gente compreende. Todo mundo sabe que a Amazon é a loja suprema de produtos na internet. Se os calçados ou eletrônicos de determinada empresa não são oferecidos na Amazon, eles simplesmente não existem para muitos consumidores. Porém, mais discretamente, a Amazon também se tornou uma loja influente de produtos não físicos, como assinaturas de software e serviços de TV online.

De fato, a nova loja de assinaturas digitais imita outra que a Amazon lançou em 2015, oferecendo serviços de assinatura de vídeo digital. Inicialmente, as companhias de entretenimento viram com ceticismo os motivos da Amazon, mas acabaram mudando de ideia. Para alguns canais de vídeo digital, a Amazon logo se tornou a maior vendedora de suas assinaturas, segundo relatório da agência de notícias de tecnologia The Information, divulgado no final do ano passado.

A verdadeira intriga começará se a Amazon mudar as regras do negócio de distribuição caso consiga peitar Apple e Google como porta de acesso a ativos digitais.

Atualmente, para quem opta por vender assinaturas digitais pela Amazon, o esquema de divisão de receita é parecido com os termos que a Apple revisou recentemente. No primeiro ano de assinatura do consumidor, o dono da assinatura digital fica com 70 por cento da receita e a Amazon, com 30 por cento. Após o primeiro ano, a fatia do dono aumenta para 85 por cento.

Mas e se a Amazon decidir ficar com uma parcela menor da receita das assinaturas ou com nada? Teoricamente, isso pressionaria Apple e Google a seguir seus passos. Há anos, as empresas reclamam que pagam muito para as controladoras das lojas de aplicativos móveis. Essas companhias receberiam bem quem liberasse uma fatia maior da receita.

Para empreendimentos cuja sobrevivência depende de Google e Apple, uma alternativa da Amazon para venda de assinaturas pode ser um novo sopro de vida.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e seus proprietários.

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