A queda longa, difícil e sem precedentes da Sears

Kim Bhasin e Lance Lambert

(Bloomberg) -- Em 1989, a Sears Roebuck & Co. mandava nos EUA e era a principal empresa varejista do país. Ela observava as concorrentes do alto de Chicago, de dentro daquele que chegou a ser o edifício mais alto do mundo -- e que ostentava o nome da companhia.

A queda dessa altura pode finalmente estar chegando ao fim.

Ao longo de quase três décadas, a companhia passou pelo que os observadores do setor descreveram como um dos colapsos mais monumentais da história dos negócios. Apesar de sua união com a Kmart -- a segunda maior empresa varejista daquela época -- e da crença de que ainda será capaz de se recuperar, a Sears está à beira de um desastre.

A má notícia mais recente foi revelada em março, quando a Sears reconheceu uma "dúvida significativa" em relação ao seu futuro, o que derrubou as ações da empresa, o pior declínio em mais de dois anos. A S&P Global Market Intelligence declarou que a Sears é a empresa de varejo americana mais suscetível a falir no ano que vem. Um estudo da Fitch Ratings sobre falências de empresas varejistas também a listou como uma companhia com alto risco de ir à falência.

O declínio combinado da Sears e da Kmart, em termos de vendas, não tem precedentes, disse Greg Portell, analista da A.T. Kearney. As sementes foram plantadas pelas decisões ruins tomadas nos anos 1980, quando a empresa apostou em imóveis em vez de se concentrar em vender produtos. Nos 28 anos seguintes, nenhum diretor conseguiu frear a queda. "Olhando para trás, o erro de gestão da Sears foi nunca chegar a um ponto no qual pudesse deter a queda livre", disse Portell.

Em 1994, a Sears e a Kmart arrecadaram um total combinado de US$ 111,4 bilhões, contra um montante de US$ 111,9 bilhões da potência Wal-Mart Stores. As três empresas varejistas estavam entre as 15 maiores em receita em 1995, considerando empresas de todos os setores. Desde então, elas foram para direções diferentes. A Sears e a Kmart viram suas bases de clientes encolherem em meio a uma série sem fim de fechamentos de lojas. As vendas do Wal-Mart quase quadruplicaram na década seguinte e a gigante triplicou suas unidades e embarcou em uma expansão internacional. A Sears e a Kmart preferiram marchar juntas e pouco mudaram suas estratégias.

Em 2002, a Kmart entrou com um pedido de proteção contra falência após anos de vendas fracas e concorrência acirrada do Wal-Mart. A rede e suas 2.100 lojas ou mais estavam em péssimas condições, atoladas sob uma montanha de dívidas e incapazes de atrair consumidores. Em um determinado momento, a maior distribuidora de alimentos da Kmart interrompeu os envios depois que a empresa varejista se tornou incapaz de efetuar pagamentos. A Kmart deixaria a falência sob o controle do bilionário do setor de hedge fund Eddie S. Lampert e de sua empresa, a ESL Investments.

A Sears está focada em melhorias e tomou "ações decisivas" nos últimos meses, disse o porta-voz Howard Riefs. "Apesar do risco delineado, estamos confiantes na nossa posição financeira e continuamos focados em executar nosso plano de transformação." O foco desse plano é avaliar "como podemos facilitar as compras", disse Riefs. "Acreditamos que a chave é integrar verdadeiramente os canais de compras. É uma combinação de loja, internet e dispositivos móveis. Não se trata mais de uma coisa só."

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