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Desintoxicação digital com um Cadillac El Dorado anos 60

Hannah Elliott

(Bloomberg) -- Eu me senti bastante calma ao dirigir a 130 km/h em uma rodovia ao norte de Nova York sem cinto de segurança, com Courtney Love gritando em uma caixa acústica retrô e um Chihuahua de 4,5 quilos escorregando no assento vermelho ao meu lado.

Eu me vi nessa situação ao dirigir de volta após uma sessão de 24 horas de desintoxicação digital, já que de alguma forma eu havia conseguido convencer uma sala cheia de editores de que esta seria uma boa forma de explorar usos modernos para carros antigos. A ideia também acabou se encaixando bem a esse retiro arborizado que eu vinha perseguindo na internet há algum tempo e que eu queria ver com meus próprios olhos.

"Temos uma crise de atenção atualmente", disse McKeel Hagerty, CEO da Hagerty.com, antes da minha partida. "Eu viajo o mundo todo conversando com executivos e eles não conseguem desgrudar do telefone. Nosso cérebro não está preparado para se defender das qualidades viciantes que a tecnologia nos traz."

Hagerty foi quem nos emprestou -- ao meu acompanhante DJ Louie XIV e a mim -- o carro.

E que carro para duas chinchilas que querem se desintoxicar: um Cadillac El Dorado 1960 bege com interior vermelho como o rótulo de uma garrafa de Coca-Cola. Ele chegou a nós no formato conversível (bastava apertar um botão para que a capota subisse, ninguém precisaria, digamos, passar 10 minutos removendo metade da tampa do porta-malas para liberá-la), com um motor V8 de 345 cavalos de potência que rosnava e ronronava como um filhote de gato Bengal. A suspensão a ar era original de fábrica; assim como o controle de cruzeiro, o ar-condicionado e o rádio (naturalmente, alguns desses itens já não funcionavam).

Nós ficamos no Milk Barn, um sítio de 144 anos próximo a Hankins, em Nova York. A propriedade foi renovada nos anos 1970 e 1980 por um fotógrafo de moda italiano para poder receber seus amigos boêmios e artistas em uma espécie de retiro da cidade de Nova York. Faz sentido -- o vidro gravado e os vitrais, a sauna, as bancadas de mármore e as enormes vigas de madeira sobre pisos de madeira Old World davam a sensação de serem descendentes diretas dos troncos europeus.

Nós esfriamos a cabeça. Eu pensava que sentiria uma comichão para ativar meu telefone -- eu adoro o Instagram, as mensagens de texto e o Twitter; essas coisas fazem parte do meu trabalho. Mas foi exatamente o oposto. Com o celular desligado, todos os meus sentidos ficaram aguçados: eu apreciei melhor o cheiro fresco e primaveral no ar; eu senti o vento e o sol; eu escutei elementos que nunca havia notado em canções que adoro há muito tempo. Quando dirigimos até a cidade para almoçar, me sentia calma e focada, em vez de frenética, depois de dirigir.

Não houve uma grande mudança, na verdade, apenas uma mudança de energia. Tudo em meu cérebro se assentou e se equilibrou. E quando voltei ao escritório, no dia seguinte, me sentia mais renovada que ao passar longos fins de semana fisicamente distante, mas constantemente bombardeada por alertas e notícias em meu telefone.

Eu vou viajar para o México na semana que vem. É possível que eu não ligue meu telefone. Só preciso encontrar o carro certo.

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