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Protestos travam shopping de US$ 3,4 bilhões perto de Paris

Ania Nussbaum

(Bloomberg) -- A única coisa que se move na imensidão dos campos de trigo, colza, milho e beterraba perto de Paris é um ônibus urbano meio vazio que circula em uma estrada novinha em folha. Acima, o onipresente barulho dos aviões interrompe a calma.

Este é o futuro lar, segundo as expectativas das autoridades locais, do EuropaCity, um shopping e complexo de lazer de 3,1 bilhões de euros (US$ 3,4 bilhões) que está sendo projetado pela gigante dos supermercados Auchan Holding e pela Dalian Wanda Group, do bilionário chinês Wang Jianlin. Algumas das características planejadas: um circo, um parque temático e uma pista de esqui coberta. Mas o projeto também é alvo de objeções por parte de prefeitos, grupos ambientalistas, fazendeiros, shoppings e pequenas empresas da região. Mais de uma década depois do início do planejamento, ainda não se sabe quando o EuropaCity será construído.

Construir projetos grandes é sempre difícil, especialmente na França. Disneyland Paris abriu 16 anos depois do planejamento inicial, e um novo aeroporto perto de Nantes foi barrado por protestos durante 55 anos. A questão é se a eleição recente de Emmanuel Macron, possivelmente o presidente da França mais favorável aos negócios em décadas, conseguirá aplacar os diversos oponentes do projeto.

"A incorporação de grande escala leva tempo porque é muito difícil forjar o consenso", disse Mitchell Moss, professor de políticas e planejamento urbanos da Universidade de Nova York. Mas o EuropaCity "tem a peculiaridade incomum de atacar interesses agrícolas, ambientais, comerciais e locais", o que unifica inimigos.

Auchan e Dalian Wanda esperam que o EuropaCity, que terá cerca de 500 lojas e 2.700 quartos de hotel, além de centros de convenções e uma fazenda urbana, crie mais de 10.000 empregos e atraia pelo menos 30 milhões de visitantes por ano. O volume equivale à população de Paris, um dos destinos turísticos mais populares do mundo, e seria duas vezes o número de visitantes anuais do parque temático Disneyland Paris.

"Vamos estimular o dinamismo nas cidades próximas", disse David Lebon, diretor de desenvolvimento do EuropaCity e ex-chefe de pessoal do antigo ministro da Economia francês Arnaud Montebourg. "Traremos uma população diversificada e mudaremos a imagem da região criando empregos e atraindo as classes médias. Isso ajudará os shoppings preexistentes."

Os políticos locais afirmam que o EuropaCity prejudicará dois shoppings que estão a uma distância de apenas 10 minutos de carro e que é improvável que os empregos prometidos sejam gerados. Eles também temem que o trânsito piore, embora o governo francês tenha prometido construir uma nova estação de metrô lá e a linha de ônibus, que já começou a funcionar.

Um grupo que representa empresas da região abriu um processo em março contra o projeto, e ambientalistas organizaram um protesto no lugar no domingo. Mais de 700 pessoas dançaram, semearam safras ou simplesmente circularam pela relva no lugar onde o EuropaCity será construído e depois foram a Gonesse para protestar. O coletivo não desistirá dos protestos mesmo se a escala do EuropaCity for reduzida, disse Bernard Loup, líder do movimento, que afirma que o projeto prejudicará campos agrícolas altamente produtivos.

A eleição de Macron, que aprovou uma lei que permite que mais lojas abram aos domingos quando foi ministro da Economia, dois anos atrás, é um bom sinal para o projeto. Um dos candidatos de seu partido para as eleições legislativas da França em junho, o sociólogo Jean Viard, é membro do comitê científico do EuropaCity.

"Os investidores do EuropaCity contaram com o apoio de Nicolas Sarkozy e de François Hollande, cujo vice-secretário-geral era Emmanuel Macron", disse Jean-Pierre Blazy, prefeito de Gonesse. "Acho que veremos continuidade." Quanto aos receios relativos à interrupção da atividade agrícola, ele disse que "essas terras são de difícil acesso para as máquinas agrícolas e ficam entre dois aeroportos e estradas".

Mas há quem deposite outras esperanças em Macron. Alain Boulanger, diretor da federação empresarial que realizou uma queixa para travar o projeto, disse que espera que o novo presidente ajude a reformulá-lo. Ele espera que Macron pressione para reduzir a quantidade de lojas que EuropaCity pretende construir, porque estima que, caso não haja nenhuma modificação, 8.000 empregos serão eliminados nas lojas das redondezas. Boulanger disse que tem estado em contato com integrantes do movimento de Macron.

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