Revés em teste de tratamento contra câncer afeta Bristol-Myers

Jared S. Hopkins

(Bloomberg) -- Em uma convenção em Chicago lotada de milhares de médicos em 2015, um burburinho entusiasmado tomou conta do lugar quando um pesquisador revelou dados que mostravam que um coquetel de medicamentos da Bristol-Myers Squibb havia tido um sucesso notável no combate a uma forma mortal de câncer de pele.

Foi um ponto alto no desenvolvimento de uma classe promissora de tratamentos contra o câncer conhecida como imunoterapia, que poderia alterar radicalmente o rumo da doença e gerar bilhões de dólares em vendas. E a Bristol-Myers estava na vanguarda com seu medicamento, Opdivo, e com muitas esperanças de dominar também o mercado de tratamentos de outras formas de câncer.

Essa euforia desapareceu.

Nos últimos 12 meses, Bristol-Myers perdeu US$ 37 bilhões em valor de mercado após fazer uma aposta ? e perder ? em um teste clínico que poderia ter tornado o Opdivo um tratamento no lucrativo mercado de pacientes novos de câncer de pulmão. Agora, sua principal rival, a Merck & Co., é considerada pelos investidores a favorita na corrida. Nesta semana, após a mesma reunião de pesquisa sobre câncer que parecia tão promissora há dois anos, as ações da Bristol-Myers continuaram recuando enquanto aumentam os rumores de uma possível venda e registram queda de cerca de 4 por cento, para US$ 52,79, às 9h31 da sexta-feira em Nova York.

"Esta é uma disputa extremamente acelerada por pacientes", disse Seamus Fernandez, analista da Leerink Partners que tem uma recomendação equivalente a compra para as ações da Bristol-Myers. Ele considera que a decisão da empresa sobre o câncer de pulmão foi "um grande erro".

Paciência

A Bristol-Myers pede paciência enquanto espera dados científicos sobre diversos tratamentos combinados ? incluindo misturar Opdivo com outros medicamentos. Isso expandiria o mercado para o Opdivo, o remédio mais vendido da empresa, fundamental para seu programa de oncologia. O câncer se tornou cada vez mais importante para a Bristol-Myers, que vendeu sua unidade de diabetes em 2013. O site da companhia menciona apenas um único remédio em fase avançada de testes ? contra o câncer.

"Estamos enfrentando o câncer em todos os aspectos e nossa profunda compreensão da biologia do câncer e nossa carteira de produtos líder do setor possibilitarão identificar o tratamento certo, para o paciente certo, no momento certo", disse Audrey Abernathy, uma porta-voz.

A divisão de câncer da Bristol-Myers havia entrado em uma seca antes que a empresa realizasse uma série de transações nos últimos dez anos. Isso mudou em 2009, com a aquisição da Medarex, que estava desenvolvendo o Opdivo. O medicamento, que utiliza o próprio sistema imunológico do corpo para atacar tumores, hoje representa quase 20 por cento da receita de US$ 19,4 bilhões da Bristol-Myers.

Com o sucesso do Opdivo no tratamento do melanoma, os investidores esperavam que a empresa tivesse resultados parecidos com o câncer de pulmão, um campo com muitíssimos mais pacientes. Outras concorrentes ? como a Merck ? viam o mesmo potencial e estavam desenvolvendo remédios similares.

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