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Executivos contratam especialistas em segurança para aquisições

Marie Mawad e Alexandre Boksenbaum-Granier

(Bloomberg) -- Executivos e investidores estão contratando um grupo inusitado para ajudá-los a fazer negócios: nerds de informática.

Empresas e fundos de investimento estão adicionando mais uma camada de análise às aquisições e passaram a investigar os riscos de segurança cibernética a que os alvos estão sujeitos, porque os ataques globais a computadores aumentam a conscientização sobre essas ameaças. Isso está provocando o surgimento de ofertas criadas especificamente para as aquisições por diversos atores, de consultoras como a Deloitte a fornecedores de software como a Intralinks Holdings.

"Existe o risco de comprar uma casca vazia", pagando em excesso por um alvo cujas patentes foram espiadas e copiadas, ou cujos dados confidenciais de clientes foram roubados, disse Michael Bittan, chefe da unidade de Serviços de Risco Cibernético da Deloitte na França. "A segurança cibernética não tem a ver com obter técnicas, mas com o impacto comercial e, em última instância, com as avaliações. Isso se tornará um dos pilares das decisões sobre fusões e aquisições."

O surgimento da especialização em segurança cibernética para fusões e aquisições ocorreu depois que um ataque à Yahoo! em 2014 afetou cerca de 500 milhões de contas, prejudicando a reputação da empresa e fazendo com que a Verizon Communications reduzisse sua oferta de compra para a empresa em US$ 350 milhões. Existe a preocupação de que os vírus informáticos possam ser plantados e que permaneçam inativos até depois de um acordo, o que faria com que o comprador tivesse que lidar com o roubo de dados de clientes, de segredos industriais ou com pedidos de resgate.

Na Deloitte, a equipe francesa da Bittan iniciou o serviço há cerca de 3 meses e já conquistou aproximadamente uma dúzia de clientes. A unidade global de segurança cibernética da Deloitte, como um todo, registrou US$ 850 milhões em vendas durante o ano cheio encerrado em maio de 2016 e tem meta de US$ 1,8 bilhão até o fim de maio de 2020.

'Desistir de transações'

A maioria dos executivos tentaria reduzir significativamente a avaliação de uma transação em caso de violação de dados de alto perfil, segundo uma pesquisa realizada no ano passado pela operadora de bolsa NYSE. Cerca de 85 por cento dos executivos entrevistados no estudo disseram que descobrir grandes vulnerabilidades na fase de auditoria de uma aquisição provavelmente afetaria a decisão final de dar continuidade à aquisição ou desistir.

"Essa tendência crescerá -- mais empresas vão desistir de transações ou desvalorizar o alvo", disse Grace Keeling, chefe de comunicação da Intralinks, que realizou uma pesquisa similar. A empresa, que fornece salas virtuais de armazenamento seguro para clientes como o Credit Suisse Group durante negócios, informou que a maioria dos entrevistados de sua pesquisa reduziria a avaliação em até 20 por cento em caso de violação no alvo.

Título em inglês: Bankers Are Hiring Security Experts to Help Get Deals Done

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