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Café do Iêmen está de volta e custa US$ 528 por quilo

Nikki Ekstein

(Bloomberg) -- Últimas notícias: você não sabe nada sobre moca. Aquele café expresso com calda de chocolate? No mundo do café, essa é o equivalente a uma notícia falsa.

Para beber um café moca de verdade você terá que pagar muito -- estamos falando de até US$ 240 por pouco menos de meio quilo dos grãos achocolatados difíceis de encontrar que vêm de Moca, no Iêmen.

Durante décadas, especialistas em café reclamaram que o café iemenita havia perdido qualidade, não era rastreável e apresentava defeitos estranhos. Mas a maioria também sabia que uma boa xícara de udaini iemenita, como essa variedade é chamada, poderia converter qualquer pessoa que detesta café em um fervoroso adorador.

Agora, esses grãos iemenitas de alta qualidade estão sendo exportados para os EUA pela primeira vez desde o advento do café especial, graças a um empreendimento social que se transformou em empresa torrefadora, Port of Mokha, cujo nome homenageia o porto do Iêmen de onde as primeiras remessas de café começaram a sair no século 15. Esses grãos estão ganhando fama rapidamente como um dos melhores do mundo, com um reconhecimento do setor que está gerando manchetes positivas para um país devastado pela guerra.

"Noventa por cento do café do mundo teve origem no Iêmen", disse Mokhtar Alkhanshali, que fundou a empresa depois de construir uma carreira no setor sem fins lucrativos. "Algumas organizações diferentes, como a Organização Mundial de Pesquisa do Café e o Instituto de Qualidade do Café, fizeram estudos sobre a genética do café". Ele diz que é lá que as palavras "moca" e "arábica" têm suas raízes.

Renascimento de um titã do café

Alkhanshali não sabia nada sobre café quando decidiu criar a Port of Mokha. Mas, em dois anos de produção seu café deixou todos boquiabertos na primeira competição internacional em que participou, a reunião anual da Associação de Café Especial em 2015.

Por que esse café custa tanto assim? Mokhtar paga aos agricultores 12 vezes a tarifa atual por quilo de café (US$ 6 em vez de US$ 0,50) para garantir que eles sigam seus rígidos protocolos de colheita e triagem, e fornece microcréditos para financiar a modernização de equipamentos e outras necessidades. É um ciclo de capacitação que mantém a qualidade e a quantidade de café iemenita, todos os anos e em todas as colheitas. Ele espera que esses incentivos acabem convertendo mais produtores de khat, uma droga que está tomando conta das fazendas do país, em cafeicultores, até o tráfico de drogas ser erradicado.

"A produção de nosso primeiro ano foi de meia tonelada", disse Alkhanshali. "Seis meses depois, uma tonelada. Agora, um ano depois, temos 120.000 agricultores e 10 toneladas de produção."

Título em inglês: Yemeni Coffee Is Back, and It Will Cost You $240 Per Pound

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