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México corre para instalar gasoduto e receber mais gás dos EUA

Adam Williams e Ryan Collins

(Bloomberg) -- O México está correndo contra o relógio para colocar gasodutos em operação neste verão no Hemisfério Norte.

O país está "em situação difícil", disse David Madero, responsável pelo Centro de Controle de Gás Natural do governo, em entrevista, na Cidade do México. A época do ano em que a demanda por gás normalmente atinge o pico se aproxima rapidamente e o México ainda enfrenta obstáculos para colocar em funcionamento os gasodutos, aguardados há tempos.

Os atrasos ampliam o excedente de gás natural do outro lado da fronteira norte, já que as produtoras de xisto dos EUA estão à espera dos dutos para levar seu combustível ao mercado. O Citigroup advertiu em nota técnica, dois meses atrás, que os problemas no México provavelmente forçariam a negociação do gás da Costa do Golfo dos EUA com grandes descontos.

"A boa notícia é que estamos construindo bastante, a má notícia é que estamos um pouco atrasados, o que é bastante normal neste setor", disse Madero, na quarta-feira. "Teríamos adorado ver esses projetos em funcionamento antes do pico da demanda do verão."

Os sete projetos de gasodutos em construção, que se somam a outros na região noroeste do país, fazem parte do plano energético quinquenal do governo. Os obstáculos técnicos e os problemas com proprietários de terras locais são os culpados pelos atrasos, segundo Madero, que disse estar confiante na conclusão do trabalho mais cedo ou mais tarde.

"Se atrasar um mês, três meses ou um ano mais, bem, é o tempo que levarão", disse ele, ressaltando que os atrasos não atingiram um ponto crítico.

Um diretor da empresa estatal de energia do México disse no início do mês que está pressionando as construtoras dos dutos para que sua firma possa usar o gás novo para gerar eletricidade até o fim de 2018. Os atrasos de três a quatro meses poderiam adiar os planos até 2019 em alguns casos, disse Guillermo Turrent, nos bastidores de uma conferência em Houston, em 20 de junho.

100%

O gasoduto Los Ramones Fase II, que a estatal Petróleos Mexicanos está desenvolvendo com a empresa de private equity First Reserve e com a BlackRock, enquanto isso, "opera praticamente em 100 por cento", disse Madero. A rede de gasodutos, que importa gás dos EUA, deverá ampliar o fornecimento de gás americano no México entre 17 por cento e 22 por cento, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

"Se tudo correr tão bem quanto esperamos, em 2020 teremos capacidade para importar mais de 400 milhões de metros cúbicos por dia, dos quais esperamos usar pouco menos da metade", disse Madero. O país recebeu 3,6 bilhões de metros cúbicos de gás americano por dutos apenas em março, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA.

O México está conversando com o Instituto Mexicano do Petróleo e com consultores do Texas para analisar as formações geológicas em busca de locais subterrâneos adequados para armazenamento de gás, disse Madero. Os possíveis locais estão na região norte do Golfo do México, nos estados de Tamaulipas, Veracruz e Tabasco, disse ele. Sua agência espera fazer sua primeira proposta formal ao Ministério de Energia ainda neste ano, segundo Madero.

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