Traders no Tinder sinalizam queda da receita em Wall Street

Laura J. Keller

(Bloomberg) -- Um trader de renda fixa conta que tem saído mais cedo do trabalho para ver os filhos praticando esportes. Um gestor de fundos diz que a firma dele organizou um retiro para partidas de golfe. O supervisor de negociação de um banco confessa que tem matado o tempo verificando perfis de moças no Tinder, o aplicativo de relacionamentos.

Wall Street está um marasmo só.

Após quatro trimestres consecutivos de aumento da receita com negociação de instrumentos financeiros, os maiores bancos de investimento dos EUA voltaram a uma fase de calmaria nos últimos meses. Os acionistas logo vão ver nos balanços trimestrais as consequências dessa falta de atividade.

Analistas calculam que os cinco maiores bancos de investimento sofrerão queda combinada na receita com negociação de ativos de 11 por cento em relação a um ano antes para US$ 18,4 bilhões - o menor valor para um segundo trimestre desde 2012. Os bancos começam a divulgar resultados em 14 de julho.

Nos bastidores, os traders reclamam da falta de notícias capazes de mover os mercados. O impasse no Congresso esvazia o otimismo em relação à ampla agenda pró-negócios do presidente Donald Trump. Outras tensões geopolíticas não abalam os mercados. E o banco central (Federal Reserve) vem seguindo a trajetória apresentada para a taxa básica de juros.

Os traders de renda fixa são os mais atingidos. Juntos, os cinco bancos devem apresentar queda de 16 por cento na receita do segmento para US$ 11,2 bilhões, de acordo com estimativas de nove analistas. Para o Goldman Sachs Group, a baixa provavelmente chegou a 23 por cento para US$ 1,5 bilhão. Para o JPMorgan Chase, a estimativa é de recuo de 17 por cento para US$ 3,3 bilhões. Para a negociação de ações, os analistas calculam diminuição da receita agregada de 2 por cento para US$ 7,2 bilhões. Líder em negociação de ações, o Morgan Stanley deve amargar o maior declínio: 6 por cento.

Porta-vozes dos cinco bancos se recusaram a fazer comentários para esta reportagem.

Em entrevistas, 20 traders de bancos de investimento e fundos de hedge contam que os colegas não têm muita coisa para fazer e que o tédio reina. Um gestor de carteiras diz que saiu do trabalho por algumas horas no final de junho para jogar videogame em seu novo NES Classic Edition, a nova versão miniatura do Nintendo lançado em 1985.

O gestor que viajou para o Estado de Massachusetts para uma tarde de golfe diz que sua firma só organiza eventos externos para os funcionários quando nada mesmo acontece. Os profissionais entrevistados pediram anonimato.

"O que mais frustra as pessoas é a falta de movimento", disse Thomas Roth, responsável por negociação na tesouraria do MUFG Securities Americas. A esta altura, os traders precisam de uma grande reforma nas regulamentações dos EUA, uma mudança significativa na política fiscal ou monetária ou outra surpresa que desencadeie movimentos sustentados dos investidores, ele avalia.

"Algo sempre explode durante o verão", disse Roth. "Já vimos isso em vários anos."

Mas mesmo uma escalada -- ou resolução - das tensões com a Coreia do Norte ou ataque terrorista só produziria um "impacto muito curto e temporário", afirmou Charles Peabody, analista de bancos da Compass Point Research & Trading.

Versão em português: Patricia Xavier em Sao Paulo, pbernardino1@bloomberg.net.

Repórter da matéria original: Laura J. Keller em N York, lkeller22@bloomberg.net.

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