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NYSE alerta que legislação está impedindo IPOs nos EUA

Charlotte Chilton

(Bloomberg) -- O comandante da Bolsa de Nova York declarou a parlamentares dos EUA que os regulamentos implantados no país dificultaram a captação de recursos por meio da venda de ações, sufocando o acesso a capital vital para empresas iniciantes.

Durante audiência para discutir a Lei Sarbanes-Oxley e a governança corporativa, o presidente da NYSE Group, Tom Farley, argumentou que cumprir a lei de 2002 ? aprovada logo após os escândalos contábeis da Enron e da WorldCom para garantir que as empresas sejam verdadeiras quando apresentam suas finanças ? é difícil demais para muitas empresas de menor porte. Segundo ele, o perigo é que a legislação crie uma barreira para startups e impeça que levantem dinheiro para estimular seu crescimento por meio de abertura de capital (IPO, da sigla em inglês).

"O ambiente regulatório para empresas de capital aberto nos últimos 15 anos ficou cada vez mais difícil de navegar", disse Farley em discurso na terça-feira. "A conformidade com certas provisões de Sarbanes-Oxley atualmente estabelece barreiras consideravelmente mais altas não só financeiramente para as companhias de capital aberto, mas também para as empresas de capital fechado entrarem nos mercados, especialmente as empresas de pequeno e médio porte", ele acrescentou.

Há anos, críticos vêm dizendo que os EUA se tornaram um ambiente menos receptivo a IPOs. O presidente Donald Trump, que prometeu eliminar determinados regulamentos, contratou um presidente da Comissão de Valores Mobiliários (Securities and Exchange Commission ou SEC), Jay Clayton, que ajudou empresas como a Alibaba Group Holding a captar dinheiro. Isso sugere que as reclamações da NYSE e de sua maior rival, a Nasdaq, podem ser ouvidas com mais atenção em Washington.

Em discurso na semana passada, Clayton disse que a "redução no número de empresas de capital aberto listadas nos EUA é uma questão séria". Quando as companhias evitam listar ações em bolsa, "a vasta maioria dos investidores de varejo não consegue participar de seu crescimento. Os efeitos duradouros potenciais de uma situação dessas para a economia e a sociedade, resumidamente, não são bons". No entanto, ele enfatizou que os mercados abertos ao público devem se tornar mais atraentes "sem afetar adversamente a disponibilidade de capital dos mercados privados".

Recursos de venture capital

Startups gigantes como a Uber Technologies podem manter o capital fechado em parte por causa da abundância de recursos de venture capital. Outras consideram uma aquisição e não uma IPO a melhor estratégia de saída. Das duas maneiras, o distanciamento das bolsas prejudica NYSE e Nasdaq, que arrecadam taxas das empresas listadas e comissões nas trocas de ações.

"Ao escolher permanecer com o capital fechado e não acessar os mercados abertos para obter capital e liquidez, uma companhia pode limitar severamente suas oportunidades de crescimento econômico, contratação de pessoal e criação de patrimônio e o público americano fica privado de opções de investimento", disse Farley.

Já para a Ernst & Young, tudo isso é muito barulho por nada. "Mais de metade do declínio no número de empresas de capital aberto desde 1996 pode ser atribuído à era de falências e fechamento de capital que imediatamente se seguiu a um número extraordinário de IPOs após a bolha das ponto-com", afirmou a consultoria em relatório divulgado em maio. "Nos últimos anos, concluímos que a expansão do capital privado e as características únicas de muitas das novas empresas da atualidade facilitaram o crescimento fora das bolsas por mais tempo do que era possível historicamente."

A EY acrescentou que "se o objetivo das autoridades é gerar formação de capital, crescimento econômico e criação de empregos, talvez seja menos importante se a formação de capital ocorre em mercados de capital privados ou abertos ao público."

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