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Governo quer mercado de carbono para estimular biocombustível

Mario Sergio Lima, Rachel Gamarski e Fabiana Batista

(Bloomberg) -- O maior produtor mundial de biocombustível de cana-de-açúcar está pronto para finalmente se juntar ao mercado de negociação de títulos de emissões de carbono.

O Brasil está trabalhando em uma nova legislação que abre o mercado de certificados de emissões de carbono, segundo Paulo Pedrosa, secretário executivo do ministério e Minas e Energia. As empresas de energia que produzem os certificados de melhor qualidade e melhores obterão o melhor acesso ao financiamento.

A medida vem em um momento no qual o Brasil, o segundo maior produtor mundial de biodiesel e etanol, atrás dos EUA, tenta atingir seu objetivo de reduzir as emissões como parte do acordo climático de Paris. Ele também atende às demandas dos produtores de biocombustíveis para políticas de longo prazo de apoio à indústria após anos de intervenção pesada do governo no mercado de combustíveis e energia.

O projeto de lei que cria o programa RenovaBio está sendo finalizado e deve ser enviado ao Congresso até o final deste mês.

"Esperamos que o mercado de negociação de títulos de emissão de crédito esteja em plena operação até 2019", disse Pedrosa em uma entrevista de seu escritório em Brasília. "A certificação individual pode estimular a concorrência, aumentar a produção e premiar as empresas que investem na produção de energia limpa".

Importações de etanol

O RenovaBio é tem como um dos seus eixos a avaliação dos biocombustíveis mais ecológicos. Isso pode reduzir as importações de etanol de milho dos EUA, que emite mais CO2 em comparação com o etanol de cana, mas cujo uso vem crescendo, disse Martinho Seiiti Ono, presidente do comércio de etanol SCA Trading em São Paulo.

As importações de combustível de milho mais do que quadruplicaram este ano, reduzindo os preços do etanol em 30% no mercado doméstico, de acordo com dados do grupo industrial Unica. Os comerciantes, os distribuidores e os produtores locais importaram o combustível mais barato na perspectiva de lucros maiores e para atender a requisitos de armazenamento.

O programa apoiará produtores de cana-de-açúcar - desde a Royal Dutch Shell Plc. e a Raízen, da Cosan, até a BP Biocombustíveis -, mas também forçam os distribuidores a serem mais agressivos na venda de combustível de cana que emite menos poluentes para cumprir os altos padrões ambientais, disse Leonardo Gadotti, presidente da Sindicom, um grupo que representa distribuidores de combustível no Brasil. A RenovaBio tornará a venda de etanol de milho menos atraente do que o etanol de cana, uma vez que eles teriam de vender mais do primeiro para atingir seus objetivos de reduzir as emissões.

Cerca de 13% das emissões globais de gases de efeito estufa são cobertas por regulamentos de preços de emissões, como o imposto sobre o capital e o carbono, de acordo com um relatório da Bloomberg New Energy Finance. Isso deverá aumentar para quase o dobro nos próximos anos à medida que o preço do carbono se expande em vários países.

Para entrar em contato com os repórteres: Mario Sergio Lima em Brasilia, mlima11@bloomberg.net, Rachel Gamarski em Brasília, rgamarski@bloomberg.net, Fabiana Batista em Sao Paulo, fbatista6@bloomberg.net.

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Vivianne Rodrigues, vrodrigues3@bloomberg.net, Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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