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Excedente global de gás deixa vítima de US$ 27 bi no Canadá

Natalie Obiko Pearson, Ryan Collins e Tim Loh

(Bloomberg) -- Um projeto de energia de US$ 27 bilhões no Canadá acaba de se transformar na última vítima do excedente global de gás natural.

Na terça-feira, a Petroliam Nasional, da Malásia, abandonou os planos para o terminal Pacific Northwest LNG, uma planta que executaria a liquefação do gás do Canadá e enviaria o combustível em navios-tanque da costa oeste da Colúmbia Britânica aos compradores da Ásia. A Petronas citou as condições de mercado em sua decisão.

O Pacific Northwest LNG entra assim em uma crescente lista de projetos engavetados nos últimos meses devido à queda dos preços do GNL, que colocou dúvidas na viabilidade econômica de manter terminais de exportação em lugares como Austrália, Rússia e Moçambique. Os preços caíram quando os volumes cada vez maiores de gás da Austrália e das formações de xisto dos EUA começaram a ser exportados, inundando o mercado com tanta oferta que, segundo analistas, o equilíbrio em relação à procura pode ocorrer só na próxima década.

"As desenvolvedoras estão tentando entrar em um mercado lotado e superestimado", disse Muhammed Ghulam, pesquisador de ações da Raymond James em Houston, por e-mail. "Simplesmente há muita capacidade de exportação de GNL planejada na América do Norte e os cancelamentos, especialmente de projetos canadenses, provavelmente continuarão."

No ano passado, a Woodside Petroleum engavetou o plano de US$ 40 bilhões para a construção de um terminal flutuante de GNL ao largo da costa oeste da Austrália e um projeto no Oregon, nos EUA, foi cancelado. Mais de dois terços dos terminais de GNL propostos para entrar em operação em meados da década de 2020 provavelmente não serão construídos, informou a Sanford C. Bernstein & Co. em maio.

A Petronas informou que a decisão de abandonar o projeto Pacific Northwest foi impulsionada pelos "prolongados preços baixos e pelas mudanças no setor de energia". A empresa e suas parceiras -- China Petrochemical, Japan Petroleum Exploration e Indian Oil -- continuam comprometidas com o desenvolvimento dos ativos de gás natural que compraram no Canadá e "continuarão explorando todas as opções" de investimentos de longo prazo, segundo comunicado.

Oferta alternativa

Com o cancelamento, a Japex terá um prejuízo de 102 milhões de dólares canadenses (US$ 82 milhões) no período de um ano encerrado em março de 2018, afirmou a empresa em comunicado, na quarta-feira, em seu website. A empresa japonesa detinha uma participação de 10 por cento no projeto Pacific Northwest e deveria receber 1 milhão de toneladas de GNL por ano da planta proposta. Existem "múltiplas fontes alternativas de oferta" disponíveis para substituir os volumes cancelados, informou a Japex.

A decisão de Petronas provavelmente levou em conta um anúncio feito no início do mês pelo Catar, maior exportador de GNL do mundo, disse Jason Feer, chefe de inteligência comercial da corretora de navios Poten & Partners em Houston, nos EUA. O Catar afirmou que planeja duplicar a produção de gás do gigantesco Campo Norte, fonte de um gás que está entre os mais baratos do mundo.

"Quem buscar captar recursos e conseguir contratos precisa ver isso e se perguntar, 'posso vencê-los? Posso me equiparar a eles?", disse Feer.

A Petronas afirmou por e-mail na quarta-feira que "não houve um motivo ou acontecimento pontual que tenha provocado a decisão".

(Atualizações com o comentário Petronas no décimo parágrafo.)

--Com a colaboração de Kevin Orland Perry Williams e Elffie Chew

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