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Poucas empresas de tecnologia concentram ganhos do S&P 500

Lu Wang

(Bloomberg) -- Com papéis bem caros, o mercado acionário dos EUA em 2017 pode lembrar aquele brinquedo de empilhar blocos em forma de torre. Quando se retira o bloco errado, a torre toda cai.

Mas será o caso? Gigantes de tecnologia como Amazon.com e Facebook dominam os índices em maior intensidade do que seu tamanho indica ? porque além de serem muito grandes mesmo, suas ações avançam com o triplo ou quadruplo da velocidade das demais.

Nesta sexta-feira, a influência dessas companhias foi ressaltada quando o balanço da Amazon fez o índice futuro Nasdaq 100 perder 1 por cento durante a madrugada.

A concentração de força é formidável:

* As cinco maiores ações dos EUA tiveram alta média de 32 por cento desde dezembro e seu valor de mercado somado aumentou US$ 670 bilhões
* Os ganhos nas ações agrupadas sob as siglas FANG/FAANG/FAAMG (iniciais de Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, Google e Netflix) são responsáveis por quase um terço do avanço do S&P 500 em 2017
* Excluindo essas ações, o ganho do índice encolhe de 11 por cento para 7 por cento
* O setor de tecnologia representa aproximadamente 23 por cento do valor de mercado do S&P 500, mas sua contribuição para a alta do índice é quase o dobro disso

Muito se discutiu nos últimos dois anos se isso é motivo de preocupação. Nesta semana, Howard Marks, copresidente do conselho da Oaktree Capital Group, se referiu ao vício nos ganhos gerados por FAANG como uma das vulnerabilidades que podem causar a derrocada desta fase de ganhos no mercado acionário dos EUA, que é a segunda mais longa da história.

Outros não acreditam nisso. Cliff Asness, da AQR Capital Management, demonstrou em uma série em seu blog que o que está acontecendo neste ano em termos de liderança concentrada em algumas ações é exatamente o que acontece todo ano. Quatro ou cinco ações sempre são responsáveis por uma parcela desproporcional dos ganhos das bolsas e isso não deve causar comoção.

Talvez a questão seja mais ampla. Todas as empresas da sigla FAAMG atuam com internet e software -- possivelmente criando um risco que não existe quando as líderes estão espalhadas entre diferentes setores. Além da concentração, Marks focou nos múltiplos, sugerindo que os perigos aumentam quando os preços das maiores ações são negociados na estratosfera.

Líderes do mercado são do mesmo setor

É ruim o mercado subiu nas costas de ações do mesmo setor? Não. Esse quadro ocorreu logo antes do colapso das bolsas em 2000 e 2008, mas também em muitas outras ocasiões. Em metade dos anos desde 1990, a maioria das cinco ações de maior impacto no mercado ocupava o mesmo setor do S&P 500: é claro que se trata do setor de tecnologia antes do estouro da bolha de internet.

Mas qual foi o setor em questão antes da crise financeira de 2008? Não o de bancos. Empresas tecnologia foram três das cinco maiores ganhadoras do S&P 500 em 2007.

"Não há nada especialmente incomum nos últimos dois anos em termos do tamanho da contribuição das líderes ao S&P 500", afirmou Todd Hazelkorn, diretor-gerente da AQR Capital Management. "O fato de muitos dos maiores ganhadores estarem no mesmo setor ocorre em parte porque companhias do mesmo setor tendem a entregar desempenho superior ao mesmo tempo. Isso é bem comum."

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