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Japão combate emissões e minimotos vão entrar em extinção

Kevin Buckland, Masatsugu Horie e Emi Nobuhiro

(Bloomberg) -- Dentro do labirinto de peixarias e lojas de sushi do Tsukiji, em Tóquio, não é só o cheiro de frutos do mar frescos que ataca compradores e turistas. Tem também o zumbido incessante.

Desde antes do amanhecer, o maior mercado de peixes do mundo ressoa com o ruído das motonetas que circulam com as encomendas dos restaurantes finos de Ginza. É a algazarra típica do minúsculo motor de 50cc ? o mesmo tipo de motor em que a Honda Motor se baseou e que ajudou a empresa a se tornar a maior fabricante de motocicletas do mundo.

Tsukiji depende dessas motonetas facilmente manobráveis, mas a existência delas está ameaçada pelos regulamentos de emissões mais rígidos que foram estabelecidos para 2020. Honda, Yamaha Motor e Suzuki Motor estão aposentando uma série de modelos de 50cc neste ano e alertam que podem descontinuá-los completamente, porque os crescentes custos para cumprir as normas fazem com que eles se tornem uma parte deficitária do mercado de motocicletas do Japão, estimado em US$ 1,5 bilhão.

Entre as vítimas deste ano estão as emblemáticas minimotos Z-Series da Honda ? conhecidas coloquialmente como "Monkey Bikes", por causa da imagem sugerida pelos pilotos montados nos pequenos veículos. Após 50 anos, os últimos modelos sairão das linhas de montagem em agosto.

"De algum modo, conseguimos cumprir os regulamentos até agora, mas, tecnologicamente, chegamos ao limite do que podemos fazer", disse Noriaki Abe, CEO da Honda para operações de motocicletas. "Não podemos mais fabricar um produto capaz de satisfazer os clientes."

A Honda tem programado informar os resultados do primeiro trimestre na terça-feira. Projeta-se que o lucro operacional vai diminuir 13 por cento em relação ao ano anterior, para 231,5 bilhões de ienes, de acordo com a média de oito estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

O declínio da moto de 50cc tem sido adiado no Japão, essencialmente o único país onde esses veículos continuam sendo vendidos. Isso significa que recursos financeiros preciosos são injetados em produtos destinados a um mercado que já migrou para bicicletas com bateria e carros compactos.

As vendas no Japão caíram 94 por cento no ano passado, para 162.130 unidades, de um pico de cerca de 2,8 milhões em 1982, de acordo com a Japan Automobile Manufacturers Association. Cerca de 60 por cento das motos de 50cc vendidas no ano passado eram da Honda, e Yamaha e Suzuki foram responsáveis pelo restante.

O último empurrão em direção à extinção coincide com a imposição de regulamentações ambientais mais duras. O Japão, como outros países do mundo, adotou os padrões de emissões de veículos da União Europeia como base de seus próprios.

Essas regulamentações começaram apenas como limites para os poluentes no escape, mas a quarta etapa ? em pleno vigor no quarto trimestre ? exige a incorporação de sistemas de autodiagnóstico para garantir que os motores funcionem sem poluir por pelo menos 20.000 quilômetros. Isso contribuiu para a eliminação de modelos como as minimotos Z-Series e Little Cub, da Honda.

A quinta etapa, efetiva em 2020, amplia esse requisito para a vida útil do veículo. Isso deve reduzir à metade as emissões dentro de 20 anos, mas adiciona até 111 euros (US$ 130) ao custo de cada veículo, de acordo com um estudo de 2016 para a Comissão Europeia. Isso é cerca de 10 por cento do preço de venda de alguns modelos japoneses.

"Até 2020, o desenvolvimento de produtos será extremamente difícil", disse o CEO da Yamaha, Hiroyuki Yanagi. "Os controles dos instrumentos vão se tornar mais complexos, e os custos vão aumentar."

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