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Crescimento rápido na Colômbia é passado, afirma Planejamento

Oscar Medina

(Bloomberg) -- A época em que a Colômbia conseguia apresentar crescimento econômico anual de 4 por cento ou mais ficou no passado e a parte difícil está prestes a começar, de acordo com o responsável pelo planejamento do desenvolvimento econômico.

A expansão do país andino nas últimas décadas foi impulsionada por duas tendências de longo prazo que estão terminando, disse Luís Fernando Mejia, chefe do Departamento Nacional de Planejamento. O investimento como proporção do PIB disparou desde 2000 e o desemprego caiu quase pela metade.

"Claramente nós temos um problema adiante porque a taxa de investimento não tem muito espaço para crescer e a taxa de desemprego não tem muito espaço para cair", explicou Mejia.
Na Ásia, o crescimento econômico se distribuiu de forma mais igual entre ganhos de mão de obra, investimentos e produtividade. Na Colômbia, praticamente tudo veio do capital e da expansão da força de trabalho, disse Mejia. Isso significa que a produtividade precisa subir para o país continuar crescendo em ritmo acelerado e retirar a população da pobreza.

A economia colombiana apresentou crescimento anual de 4,3 por cento nos últimos 40 anos, sendo que apenas 0,3 ou 0,4 por cento veio da melhora na "produtividade total dos fatores", de acordo com o Departamento Nacional de Planejamento. A produtividade total dos fatores se refere à quantidade de produto gerada por determinada quantidade de capital e trabalho.

Para estreitar a diferença com outros mercados emergentes, a nação está gastando US$ 20 bilhões na modernização da malha viária, que é uma das piores do mundo, e tomando diversas outras providências, como a redução do tempo necessário para processamento de contêineres nos portos.

Mejia calcula que as novas rodovias vão impulsionar o crescimento potencial em 0,4 ou 0,5 ponto percentual, ao reduzir atrasos e custos para empresas. O índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial para o período 2015-2016 coloca a Colômbia em 126º lugar entre 140 países no quesito qualidade das estradas, 117º em educação em matemática e ciências e 64º em inovação e sofisticação.

Desde 1990, a produtividade cresce a um ritmo anual de 3,9 por cento na Coreia do Sul, 1,5 por cento na Finlândia e 1,1 por cento nos EUA, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

O acordo de paz com guerrilheiros marxistas assinado no ano passado também vai impulsionar o crescimento potencial da economia em meio ponto percentual aproximadamente, com o impacto máximo acontecendo daqui a cinco anos, segundo Mejia. A Colômbia ocupa o 136º lugar no índice de competitividade referente a custo de negócios com o terrorismo e 132º lugar em termos do custo de negócios relacionado a crime e violência.

Temores dos investidores

No início deste século, o investimento representava 14 por cento do PIB colombiano - parcela menor do que a observada no Brasil, Chile, México ou Peru. Agora, em cerca de 25 por cento, é a maior parcela entre as grandes economias da região, segundo o Fundo Monetário Internacional.

O investimento não pode avançar sem limites porque eventualmente haverá excesso de capacidade e retorno marginal declinante. Da mesma forma, o desemprego caiu de 17 por cento em 2000 para 10 por cento no ano passado. A taxa poderia recuar mais, para 7 ou 8 por cento, mas as grandes quedas observadas no passado não se repetirão, disse Mejia.

Para entrar em contato com o repórter: Oscar Medina em Bogotá, omedinacruz@bloomberg.net.

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