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Vendas a descoberto fazem sucesso, apesar do avanço do S&P 500

Lu Wang

(Bloomberg) -- Vender a descoberto em um mercado que sobe pode parecer irresponsável. No entanto, em 2017, os investidores pessimistas dos EUA não só estão resistindo à maré alta como surfando nela.

Dados das bolsas de valores mostram que as apostas pessimistas aumentaram para o maior nível desde novembro. Por si só, já é uma informação digna de nota. Desde que o período de ganhos no mercado acionário americano começou, um avanço como o de 9 por cento registrado pelo S&P 500 neste ano sempre resultou em movimento epidêmico de cobertura de posições.

Pode ser tentador atribuir o fenômeno aos fundos de hedge incapazes de superar suas referências. Mas há motivos para crer que este não é o caso agora: o número de ações em queda está atipicamente elevado e os pessimistas estão conseguindo encontrar esses papéis com impressionante destreza.

"Quando se faz um estudo mais aprofundado, sempre se encontra setores mais frágeis e ações que proporcionam oportunidades de venda a descoberto", disse Tom Stringfellow, diretor de investimentos da Frost Investment Advisors, que ajuda a supervisionar US$ 4 bilhões em San
Antonio, Texas. "Quem vende a descoberto está bem à vontade e sem pressa para cobrir posições."

De petrolíferas a varejistas, as ações mais utilizadas pelos pessimistas foram de fato as de pior desempenho neste ano. A venda a descoberto é feita com uma ação emprestada, que o investidor espera comprar de volta a um preço menor. Quando as ações sobem, eles são obrigados a comprar para limitar a perda na hora da devolução. Por isso, quem apostou desta forma pagou caro durante o período de oito anos e meio em que a pontuação do S&P 500 triplicou. É um dos motivos pelos quais, em períodos de alta do mercado acionário, os fundos de hedge ficam atrás de fundos que só adotam posições compradas.

Ainda assim, os pessimistas continuaram tentando e, neste ano, apesar do avanço dos índices acionários, o mercado está cooperando. Embora o Russell 3000 acumule alta de 9 por cento, 45
por cento de seus integrantes sofreram queda nos preços das ações. Há um ano, o ganho do mercado como um todo era mais contido, mas o número de ações em baixa também era menor.

O interesse em vendas a descoberto aumentou 0,4 ponto percentual em 2017, atingindo 4 por cento do total de ações disponíveis para negociação.

Ações que perdem feio se destacam e os pessimistas acertaram quais seriam. Para o setor de energia, o aumento do interesse alocado em vendas a descoberto foi o segundo maior entre os 11 setores do S&P 500, atrás somente do setor de consumo discricionário. Os papéis de energia caíram 12 por cento nos últimos seis meses e o recuo é quase o dobro do apresentado pelo segundo setor com as maiores perdas. É boa notícia para os pessimistas, que elevaram a venda a descoberto de ações de energia para 5,5 por cento do total de papéis disponíveis para negociação.

O setor varejista também foi alvo dos céticos. Desde janeiro, o interesse alocado nas vendas a descoberto subiu 2,6 ponto percentual para 9,6 por cento das ações em circulação. Com a Amazon.com em contínua expansão e tirando participação de lojas físicas tradicionais, o setor acumula queda de 12 por cento e deve registrar a maior baixa anual desde a crise financeira.

Entre as ações do Russell 3000 com pelo menos 10 por cento de interesse em vendas a descoberto, a perda mediana dos papéis foi de 2,5 por cento em 2017. Para ações com interesse em vendas a descoberto superior a 20 por cento, a perda mediana chegou a 4,8 por cento. Quando a parcela supera 40 por cento, a queda mediana é de 12 por cento.

A situação dos fundos de hedge não melhorou tanto, mas as posições vendidas não são tão prejudiciais quanto no passado. De acordo com a Hedge Fund Research, os fundos com foco em renda variável geraram retorno de 7,6 por cento no ano até julho ? é a menor desvantagem em relação ao S&P 500 em sete anos, excluindo 2015.

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